Uma organização suíça que ajuda as pessoas a acabar com a própria vida decidiu alargar os serviços de morte assistida a idosos que não são doentes terminais. Exit, assim se chama a organização, acrescentou «suicídio devido à idade avançada» aos próprios estatutos, depois de a determinação ter sido votada em assembleia geral anual. A nova disposição permite ajudar pessoas que sofrem de problemas psicológicos ou físicos associados à velhice a porem fim à vida, se assim o entenderem.

A morte assistida ou eutanásia é legal na Suíça e, tecnicamente, até uma pessoa jovem e saudável pode recorrer a esses serviços. Mas as organizações envolvidas neste trabalho definem as próprias regras internas, que variam de grupo para grupo.

De acordo com o jornal inglês «The Guardian», a nova disposição da Exit é criticada pela Associação Médica Suíça por temer que seja um incentivo ao suicídio entre os idosos. «Não apoiamos a mudança de estatutos pela Exit. Essa mudança preocupa-nos, porque não pode ser descartado que pessoas idosas saudáveis podem vir a sofrer pressões para acabarem com a própria vida», afirma o presidente da associação, Jürg Schlup.

A Exit rejeita as críticas e diz que a maioria das pessoas que optam pela eutanásia já eram membros da organização e já consideravam a opção há anos.

«A morte assistida é um processo demorado. Os médicos fazem testes e falam durante horas com os pacientes, pedindo-lhes para justificarem as motivações. Os pacientes idosos sentem que não têm a energia para tudo isso e também que não é tão digno», afirma o vice-presidente da Exit, Bernhard Sutter.

A organização confirma que os idosos que procuram os serviços de eutanásia são submetidos a exames médicos completos, mas afirma que esses exames são menos rigorosos do que as exigidos aos mais jovens.

Apesar da polémica, Bernhard Sutter defende que os médicos se têm tornado mais complacentes com a vontade dos pacientes em porem termo à vida. «Prescrições que recomendam a eutanásia provêm com mais frequência dos médicos de família», afirma. «Isso mostra que a profissão médica compreende melhor agora o que significa continuar a viver assim», acrescenta.

As afirmações de Sutter surgem na sequência de notícias sobre uma batalha judicial entre o Ministério Público da Suíça e um médico que receitou um medicamento mortal a um paciente sem examiná-lo primeiro. O clínico foi absolvido em abril, por um tribunal de recurso, por ter dado remédios a um paciente de 89 anos com uma doença intestinal grave que queria acabar com a vida, mas se recusou a ser examinado.

«Isto tem de ser consentido a idosos como ele, que não querem submeter-se aos exames outra vez», defende Bernhard Sutter. «Ele não tinha que passar por tudo isso outra vez», remata.