O Irão executou no ano passado 966 pessoas, o maior número dos últimos 20 anos, com 65 por cento das condenações relacionadas com droga, indicou esta quinta-feira o relator das Nações Unidas para os Direitos Humanos no país.

De acordo com a agência EFE, Ahmed Shaheed, ao apresentar o relatório anual em Genebra, adiantou que o Irão continua a ser o país com maior número de execuções de menores, 73 nos últimos 10 anos e 16 entre 2014 e 2015.

As leis iranianas situam a idade de responsabilidade penal nos 15 anos nos rapazes e nove nas raparigas.

O relator destacou a dureza com que se castigam os delitos relacionados com droga, uma vez que a lei tipifica até 17 infrações para que se possa aplicar a pena de morte como punição. A pena capital aplica-se, por exemplo, à posse de 30 gramas de heroína ou de cocaína.

Quanto às restantes execuções, 22% foram condenados à morte por homicídio, 06% por violações, 03% por assassínio e os restantes 04% por outros crimes, entre eles corrupção.

Desde que iniciou o mandato, há cinco anos, o relator da ONU nunca foi autorizado por Teerão a visitar o país.

Ao apresentar o relatório, Ahmed Shaheed, porém, destacou uma postura "mais amável" das autoridades iranianas desde a recente abertura política de Teerão.