O Paquistão executou, esta quarta-feira, quatro militantes talibãs ligados ao massacre numa escola na cidade de Peshawar em que morreram 150 pessoas, a maioria crianças, em dezembro de 2014.

“Quatro militantes envolvidos no ataque à escola foram enforcados esta manhã na prisão de Kohat”, disse à AFP uma fonte

Os quatro homens foram enforcados por sentença de um tribunal militar e foram também os primeiros a serem condenados pelo crime ocorrido a 16 de dezembro de 2014. O julgamento não foi público e o processo secreto. Desconhece-se, portanto, se os prisioneiros tiveram direito a defesa ou se tiveram oportunidade de recorrer da sentença. A dúvida em saber se se trataram de julgamentos sumários foi levantada por ativistas de Direitos Humanos. 

Um comunicado do tribunal fez saber que os condenados pertenciam a uma fação dos talibãs, denominada Toheedwal, e que já tinham estado envolvidos no ataque a uma base militar em Peshawar, em 2012, mas não concretizou o grau de envolvimento destes homens no massacre à escola. Os rebeldes que levaram a cabo o ataque à escola terão sido todos mortos pelas forças de segurança, na altura, mas estes quatro foram acusados de auxiliar os assassinos que materializaram o crime.

As execuções surgem poucos dias antes do aniversário das mortes que chocaram o país. Um grupo de extremistas entrou de surpresa na escola, atirando indiscriminadamente contra professores e alunos. A maioria das vítimas eram filhas de militares colocados numa base ali perto.

Em resultado do massacre, foi desencadeado um combate aos extremistas islâmicos, com a criação de tribunais militares e o ressurgimento da pena capital, que tinha sido abolida há seis anos, recorda a BBC.