A Bolívia queixou-se esta terça-feira na Organização de Estados Americanos (OEA) do «atentado» de que foi vítima o Presidente Evo Morales, depois de o seu avião ter sido impedido de sobrevoar vários países europeus a 02 julho.

Portas: «Portugal autorizou sobrevoo do avião de Morales»

O governo boliviano acusou na semana passada vários países europeus, incluindo Portugal, de terem impedido a entrada no seu espaço aéreo ou a aterragem para uma escala técnica do avião de Morales, por "suspeitas infundadas" de que Edward Snowden, ex-consultor dos serviços secretos norte-americanos, estaria a bordo. O presidente boliviano seguia de Moscovo para La Paz.

"Consideramos muito grave (...) o atentado de que foi vítima o presidente Evo Morales depois de cumprir uma missão oficial em Moscovo", afirmou o ministro da Presidência boliviano, Carlos Romero, no início da sessão do Conselho Permanente da OEA.

O ministro representou em Washington o seu país na reunião da OEA solicitada pela Bolívia, Equador, Nicarágua e Venezuela.

A Bolívia, com o apoio dos outros três países, vai apresentar na reunião um projeto de resolução para que a OEA condene "as atuações claramente violadoras de normas e princípios básicos do direito internacional".

A proposta de resolução, citada pela agência Efe, exige "aos Governos de França, Portugal, Itália e Espanha explicações e desculpas sobre as causas que motivaram o cancelamento das autorizações de sobrevoo e/ou aterragem do avião presidencial".

Snowden é acusado pelos Estados Unidos de espionagem, depois de ter feito revelações sobre um programa de vigilância global norte-americano a comunicações telefónicas e na internet.

O informático norte-americano, que inicialmente foi dos Estados Unidos para Hong Kong, está desde 23 de junho na zona de trânsito do aeroporto moscovita de Sheremetyevo à espera de uma solução diplomática que evite a sua extradição para os Estados Unidos.