Um homem morreu, na noite de terça-feira, quando tentava atravessar o Túnel de Calais, que liga a França ao Reino Unido, aparentemente vítima de atropelamento por um camião.

Tal como este homem, sudanês, com uma idade entre os 25 e os 30 anos, outras 1500 pessoas tentaram fazer esta travessia naquela noite.

Com esta morte, sobe para nove o número de migrantes que morrem, no Canal, este verão.

A gestão do Eurotúnel disse à BBC que estas invasões são agora constantes. Na noite de segunda-feira, um grupo de dois mil migrantes também tentou “dar o salto”.

As proporções do drama destes imigrantes ilegais levou o primeiro-ministro britânico a tomar posição.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, declarou-se preocupado com estas tentativas de chegar a território britânico e anunciou uma verba orçamental dedicada ao problema. 

“É muito preocupante”, declarou Cameron, à margem de uma visita a Singapura. “Trabalhamos em estreita colaboração” com as autoridades francesas para lidar com a situação, referindo que a ministra da Administração Interna vai reunir-se de emergência com as autoridades para colocar um travão nestes distúrbios na passagem entre França e Inglaterra. 


37 mil desde janeiro

O grupo Eurotunnel afirmou ter intercetado, desde janeiro, mais de 37 mil imigrantes pelos seus próprios meios e pediu à França e ao Reino Unido que tenham uma “resposta apropriada”.

A empresa referiu ainda que, entre a noite de terça-feira e esta quarta-feira, foram feitas 1.500 tentativas de invasão do túnel e uma pessoa acabou por morrer.

“O Eurotunnel alertou, há vários meses, a comissão intergovernamental do túnel sobre o Canal da Mancha e os poderes públicos sobre a explosão do número de imigrantes presentes em Calaisis (região de Calais, no norte da França) e as consequências, às vezes dramáticas, que isso poderá ter”, referiu o grupo que gere a concessão do túnel.

O ministro do Interior francês anunciou esta quarta-feira o envio de mais 120 polícias para Calais para atuarem na entrada do Eurotúnel.

O ministro Bernard Cazeneuve recordou que, desde 2012, multiplicaram-se os meios humanos implementados pelo Estado em Calais e pediu uma “abordagem global” do problema da imigração na Europa.