Os líderes europeus iniciam na terça-feira as negociações para designar o próximo presidente da Comissão, com os resultados das eleições europeias a obrigarem a negociações complexas, especialmente entre os dois principais partidos, populares e socialistas.

Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia vão reunir-se num jantar informal para iniciar as negociações (o início está marcado para as 19:00, 18:00 em Lisboa), mas na carta convite endereçada aos líderes europeus, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy - confesso opositor ao novo sistema de apresentação prévia de candidatos à Comissão - sublinhou que é «muito cedo para decidir sobre nomes».

Nas eleições europeias, que terminaram no domingo à noite e cuja contagem dos votos ainda não está fechada oficialmente, o Partido Popular Europeu (PPE), que integra o PSD e o CDS-PP, foi o mais votado, com mais 25 mandatos que o Partido Socialista Europeu (PSE), a que pertence o PS, que ficou em segundo lugar, de acordo com a projeção mais recente, divulgada hoje.

As duas maiores forças políticas da União Europeia perderam eurodeputados face às eleições de 2009 - o PPE elegeu 212, menos 61, e os socialistas 187, menos nove - e estão aparentemente obrigadas a um entendimento perante a ausência de uma maioria clara e o crescimento substancial dos partidos eurocépticos, nomeadamente de extrema-direita, em países como a França, a Dinamarca ou a Áustria.

A Aliança dos Liberais e Democratas para a Europa (ALDE), apesar de também ter perdido mandatos, mantém-se como terceira força, com 72 eurodeputados (menos 11), seguida pelos Verdes, com 55 (perdeu dois mandatos).

Estes quatro grupos reúnem 526 dos 751 assentos parlamentares europeus, contra os 612 que possuíam na legislatura que agora termina.

Tal como na noite de domingo, o candidato do PPE à presidência da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, voltou a reivindicar o direito a ser nomeado para o cargo, na sequência dos resultados, mas admitiu a necessidade de uma «grande coligação» com os socialistas.

Segundo o acordo estabelecido antes das eleições, cabe ao partido mais votado, o PPE, começar a ronda de negociações para a presidência da Comissão Europeia, mas a distribuição de todos os altos cargos europeus levará necessariamente a um processo complexo, já que em relação a 2009 a vantagem dos populares em relação aos socialistas é bastante mais curta.

«Não vale a pena fazer grandes conjeturas. A única opção possível é uma grande coligação entre os dois grandes partidos», declarou Jean-Claude Juncker, em conferência de imprensa.

«Há muitos assuntos a analisar e outros cargos a distribuir», lembrou, referindo-se às nomeações para outros altos cargos das instituições europeias que também irão ficar vagos em breve, como os de presidente do Conselho Europeu, atualmente ocupado por Herman Van Rompuy; de Alto Representante da UE para os Negócios Estrangeiros, ainda na posse de Catherine Ashton; e de presidente do Parlamento Europeu, ainda desempenhado por Martin Schulz.

Já hoje, a chanceler alemã, Angela Merkel, saudou o «resultado sólido» do PPE e afirmou que Juncker é o seu candidato à presidência da Comissão, mas que vai ser preciso dialogar sobre «nomes» e «conteúdos».

«Nenhum de nós tem, com as nossas próprias forças, capacidade para eleger um candidato. Isso significa que temos de falar. Eu, como chanceler, comprometo-me a que essas conversações se realizem, não apenas sobre nomes como também sobre conteúdos», disse Merkel, citada por agências internacionais, sobre os resultados das eleições europeias.

As próximas semanas serão decisivas para clarificar a escolha do novo presidente da Comissão Europeia e o nome final só deverá ser formalmente proposto no Conselho Europeu agendado para 26 de junho.