Dirigentes e membros do Rawti Shax, uma organização terrorista de origem curdo-sunita, foram detidos esta semana numa operação policial realizada em simultâneo em Itália, Reino Unido, Noruega, Finlândia e Alemanha, divulgou o Eurojust.

O Eurojust é um organismo da União Europeia (UE) que ajuda investigadores e magistrados do Ministério Público em toda a UE a trabalhar em conjunto na luta contra a criminalidade transfronteiriça, designadamente o terrorismo.

As detenções dos membros do Rawti Shax ocorreram numa ação concertada com as autoridades policiais e judiciárias dos diversos países envolvidos na operação, que foi coordenada pela Eurojust.

Os detidos estão indiciados de crimes relacionados com o terrorismo internacional.

Em Itália, a operação foi concretizada pelos "carabinieri", sob a supervisão do Ministério Público de Roma.

O Rawti Shax ou Didi Nwe é um grupo terrorista liderado por Najmuddin Faraj Ahmad, aliás Mullah Krekar, que resultou da organização Ansar Al Islam, identificada pelas Nações Unidas como tendo filiação na Al-Qaeda.

O seu objetivo primordial é lutar contra a corrente curda-iraquiana no governo, e impor um califado governando pela lei islâmica.

Segundo dados recolhidos pela investigação italiana, à semelhança da Ansar Al Islam, Rawti Shax tem raízes na Europa e comunica e opera através da internet, tendo uma estrutura particularmente ativa na Alemanha, Suíça, Reino Unido, Itália, Grécia, Suécia, Noruega, Iraque, Irão e Síria.

O grupo beneficia de apoio financeiro e logístico que favorece o recrutamento de combatentes estrangeiros que são enviados para a Síria e o Iraque, com a intenção de lhes conferir treino para combater num futuro conflito no Curdistão.

Na operação policial, as autoridades apreenderam diverso material eletrónico e documentação. Alguns dos suspeitos não foram localizados e supõe-se que tenham viajado para o Médio Oriente (Síria e Iraque) para se juntarem a organização ‘jihadistas’ (ISIS e Al-Nusra).

O Eurojust, através da cooperação internacional, tinha este grupo terrorista na mira desde 2011, tendo, nos últimos meses, extensa informação recolhida pelos investigadores italianos com vista a identificar os membros da organização a operar naqueles países.