Uma vítima de violência doméstica foi condenada a três dias de prisão, na Flórida, EUA, por não ter testemunhado contra o homem que a atacou. A juíza que ditou a sentença está a gerar polémica, depois de ter sido divulgado o vídeo que mostra o julgamento e a forma controversa como agiu.
 

“Acha que vai ter ansiedade agora? Ainda nem sequer viu o que é ansiedade!”, disse a juíza Jerri Collins, do tribunal de Seminole.


Tudo porque a vítima faltou a uma audiência, no dia 22 de julho, onde teria de enfrentar o homem que a agrediu. Os documentos do tribunal afirmam que a mulher ignorou uma intimação para testemunhar contra o pai do seu filho, que, alegadamente, a terá agredido e ameaçado com uma faca.

Um dia antes da audiência, a vítima terá dito que não iria aparecer no tribunal, acrescentando que não queria saber “se era presa”. E foi isso que aconteceu.

O vídeo, divulgado pela WFTV, mostra a mulher a chorar, durante o julgamento, no dia 30 de julho, dizendo que estava muito ansiosa desde o ataque e que estava a tentar ultrapassar o assunto. Diz ainda que agora vive com os pais e com o filho de um ano.

Mas Jerri Collins afirma friamente que esta não é uma desculpa e que a sua decisão pode ter custado o caso à acusação. Acaba então por sentenciar a vítima por “falta de cooperação”.

A mulher ainda suplica pela liberdade e pede para voltar para junto do filho de um ano, mas a juíza não mostra qualquer sinal de piedade.




Os advogados condenaram o comportamento da responsável pelo julgamento e declararam que, se esta era uma tentativa de passar uma mensagem às vítimas de violência doméstica, para que começassem a cooperar mais com a justiça, o efeito foi exatamente o contrário.
 

“Ela nunca mais vai voltar a ligar o 112”, disse Cindy Southworth, presidente da associação Rede Nacional para Acabar com a Violência Doméstica. “Eu percebo o quão frustrante é para a acusação não conseguir obter algumas provas e testemunhas, mas a solução não deve passar por ameaçar a vítima. Ela está com medo de testemunhar. E a juíza fechou as hipóteses - ela nunca mais vai voltar a ligar para o 112. E se morrer é culpa da juíza”.



De acordo com o Huffington Post, a juíza absteve-se de comentar a decisão. O porta-voz de Jerri Collins confirmou apenas que o tribunal tem recebido muitas queixas do público desde que o vídeo foi divulgado, na quinta-feira.