O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), no Governo, anunciou esta quinta-feira que vai iniciar o recrutamento de elementos para as chamadas Unidades de Batalha Bolívar-Chávez (Ubch), para preparar milícias para a segurança e defesa do país.

O anúncio foi feito pelo vice-presidente da área de segurança e defesa do PSUV, Luís Reyes Reyes, numa conferência de imprensa em Caracas durante a qual precisou que vão ser recrutados seis cidadãos por cada Ubch (formadas por militantes do partido), que vão ser instruídos para estar disponíveis para enfrentar qualquer circunstância que surja em território venezuelano.

"Temos 16.686 Ubch, o que dá um total de 80 mil companheiros combatentes, disponíveis, não só desde o ponto de vista da defesa do país, mas também da segurança interna, da luta contra a guerra económica, da atuação em situações especiais como atos de contingência por inundações", disse.

A medida foi anunciada no mesmo dia em que o Estado Maior da Comunicação (EMC) venezuelano acusou a imprensa, quer a nacional quer a internacional, de estar a fazer um "ataque mediático contra a Venezuela", instando os profissionais a exercer o jornalismo com ética no país.

"Aqui há um ataque mediático. Há setores políticos envolvidos com meios [de comunicação] internacionais e de agências que constantemente nos agridem. Este ataque só é comparável com o de 2002 [quando o ex-presidente Hugo Chávez foi afastado temporariamente do poder], mas agora a agressão tem sido descarada", denunciou a presidente do EMC aos jornalistas.

O EMC é um organismo criado em janeiro deste ano pelo Governo da Venezuela com o objetivo de "construir uma nova política comunicacional" e "manter o povo informado", segundo disse na altura Nicolas Maduro.

Entretanto, os EUA manifestaram preocupação pelo modo como as autoridades venezuelanas estão a reprimir as manifestações contra o Governo e instaram os líderes políticos da Venezuela a ouvirem o povo.

"Gostávamos de ver que os líderes venezuelanos ouvem a voz do seu povo e tomam decisões razoáveis e prudentes", disse o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, durante uma conferência de imprensa em Washington.

Segundo John Kirby, o Governo norte-americano está "profundamente preocupado pelas difíceis condições que está experimentar o povo da Venezuela, incluindo o agravamento da escassez de alimentos, medicamentos, eletricidade e bens básicos de consumo".