O presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, partilhou na conta pessoal do Twitter, três vídeos contra muçulmanos publicados por um grupo britânico de extrema-direita.

As imagens foram publicadas por Jayda Fransen, líder do movimento "Britain First" ("Reino Unido em Primeiro Lugar"), que atribui a religião islâmica a indivíduos que praticam os atos violentos filmados.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, os retweets de Donald Trump daquelas imagens estão a gerar críticas de incitação à intolerância religiosa e à discriminação.

No primeiro vídeo retweetado por Trump, um jovem, descrito como "um migrante muçulmano", espanca "um rapaz holandês de muletas”.

No segundo vídeo, um homem, vestido de acordo com a tradição muçulmana, destrói uma estátua da Virgem Maria.

Num terceiro vídeo, de acordo com Jayda Fransen, "uma multidão de islamitas empurra um adolescente de um telhado e espanca-o até à morte".

Nenhum dos vídeos, nem nenhuma das mensagens de Jayda Fransen, disponibilizam o contexto e o local onde os acontecimentos foram filmados. E todos os vídeos são partilhados pelo presidente norte-americano sem qualquer comentário.

A autora dos tweets, Jayden Fransen, foi condenada no início deste ano por assédio agravado por motivos religiosos, depois de ter insultado uma mulher que usava um hijab.

Deliciada com o facto de Donald Trump ter partilhado os vídeos, a líder do "Britain First" escreveu no Twitter uma mensagem em letras maiúsculas.

"O PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS, DONALD TRUMP, PARTILHOU TRÊS DOS VÍDEOS PUBLICADOS NO TWITTER PELA PRESIDENTE JAYDA FRANSEN! O PRÓPRIO DONALD TRUMP PARTILHOU ESTES VÍDEOS E ELE TEM CERCA DE 44 MILHÕES DE SEGUIDORES! DEUS O ABENÇOE, TRUMP! DEUS ABENÇOE A AMÉRICA!", numa mensagem que termina com a saudação do Britain First: "OCS" (Onward Christian Soldiers, ou seja: Em Frente Soldados Cristãos).

Nas redes sociais, os internautas reagiram com críticas aos tweets de Trump, dizendo que utilizou as imagens para discriminar toda a comunidade islâmica e até para incitar à violência contra os fiéis. Já outros, em tom efusivo, concordaram com o presidente norte-americano e pediram que se diga “basta!” à comunidade islâmica, que é adepta do radicalismo. Os defensores da diversidade ainda fizeram questão de lembrar que a religião muçulmana propaga a paz, ao contrário do modo como agem os terroristas.

No Reino Unido, deputados trabalhistas como David Lammy, Stephen Doughty e Naz Shah foram rápidos a expressar indignação perante as partilhas de Donald Trump.

 

 

O grupo “Britain First” foi fundado em 2011 por antigos membros do partido de extrema-direita British National Party (BNP) e ganhou notoriedade ao postar nas redes sociais vídeos contra muçulmanos. Os líderes e seguidores do “Britain First” são contra o multiculturalismo e são acusados de promover a intolerância religiosa no país.

O “Britain First” defende que o Reino Unido está a sofrer uma "islamização", que o grupo tenta contrariar através de invasões de mesquitas, organizadas pelas suas "patrulhas cristãs", para distribuir propaganda. Além de defender a expulsão de muçulmanos, o grupo defende também a reintrodução dos enforcamentos em praça pública.