O presidente dos Estados Unidos falou ao país, esta quinta-feira, na sequência do tiroteio que fez 17 mortos num liceu na Flórida, sem mencionar a questão do uso de armas de fogo em território norte-americano. E tal como tinha feito após o tiroteio que ocorreu numa igreja do Texas, Donald Trump destacou os problemas de saúde mental do atirador.

Num discurso proferido na Casa Branca, Trump apelou diretamente às crianças norte-americanas para que procurem ajuda caso se sintam “perdidas, sozinhas, confusas ou até assustadas”.

Quero dirigir-me diretamente às crianças da América, especialmente aos que se sentem perdidos, sozinhos, confusos e até assustados. Quero que saibam que não estão sozinhas e que nunca estarão. Têm pessoas que gostam de vocês, que farão qualquer coisa para vos proteger. Se precisam de ajuda procurem um professor, um familiar, um agente da polícia, um líder religioso. Respondam ao ódio com amor. Respondam à crueldade com bondade”, afirmou.

Trump procurou centrar as suas palavras nos problemas de saúde mental do atirador, passando ao lado do debate sobre o uso de armas de fogo em território norte-americano. Uma postura que já tinha adotado após o tiroteio que fez 26 mortos numa igreja do Texas, em novembro do ano passado. Na altura, o líder norte-americano disse: “o problema aqui é a saúde mental… isto não é um problema relacionado com armas”.

De resto, no Twitter, o presidente norte-americano já tinha sugerido que o tiroteio poderia ter sido evitado, uma vez que as pessoas que conheciam o atirador “sabiam que ele era um grande problema”.

Tantos sinais de que o atirador da Flórida era mentalmente perturbado, até foi expulso da escola por mau comportamento. Vizinhos e colegas sabiam que ele era um grande problema. Devem sempre reportar estas informações às autoridades!”, escreveu Trump no Twitter.

Nesta comunicação ao país, Trump frisou que “nenhuma criança e nenhum professor deve correr perigo numa escola americana” e que “nenhum pai deve ter medo depois de beijar o seu filho ou a sua filha pela manhã”.

E garantiu que vai discutir medidas para tornar as escolas mais seguras num encontro com governadores e procuradores norte-americanos que vai ter lugar no final do mês. Isto sem especificar que medidas poderão estar em cima da mesa.

Trump adiantou ainda que vai viajar até à localidade de Parkland, onde ocorreu o tiroteio. 

Mas se o líder norte-americano parece querer evitar o debate sobre o controlo de armas de fogo no país, nas redes sociais a questão tem sido aplamente discutida, com mensagens e cartoons que se tornaram virais. 

O tiroteio de quarta-feira é já o 18º ataque do género nos Estados Unidos desde o início do ano, segundo os dados da Everytown for Gun Safety, uma organização que luta pelo controlo no acesso a armas de fogo.

 

 

 

 

 

 

Pelo menos 17 pessoas morreram num tiroteio na escola secundária Marjory Stoneman Douglas, em Parkman, na Flórida.

O autor do tiroteio, que foi detido pela polícia, foi identificado como Nikolas Cruz, um ex-aluno daquele estabelecimento de ensino, obcecado por armas, que já tinha sido expulso da escola pelo menos duas vezes.