O chefe da Força Aérea russa disse no sábado à Interfax que poderão ser colocados bombardeiros estratégicos em Cuba ou numa ilha da Venezuela, mas o Kremlin apressou-se a advertir que a declaração foi meramente hipotética, noticia a Lusa.

Os Estados Unidos e a Rússia têm tentado recompor as suas relações, seriamente abaladas pelos planos norte-americanos de colocar mísseis na Polónia e na República Checa e pela invasão da Geórgia pela Rússia, no ano passado.

O analista militar independente Alexander Golts considerou que a Rússia não tem nada a ganhar se colocar armas de longo alcance a curta distância das costas dos Estados Unidos. «Os bombardeiros de longo alcance não precisam de qualquer base de apoio», disse Golts, que explicou que tais aviões são considerados estratégicos exactamente porque podem atacar os Estados Unidos, partindo da Rússia e sem necessidade de fazer escala.

Golts atribuiu à declaração do responsável militar russo um carácter de gesto de retaliação, após navios norte-americanos terem aparecido a patrulhar as águas do Mar Negro junto à Geórgia.

Chávez oferece ilha

O chefe da aviação militar de longo alcance da Rússia, general Anatoly Zhikharev, foi citado no sábado pela agência Interfax como tendo afirmado que o Presidente venezuelano, Hugo Chávez, havia oferecido «uma ilha inteira com um aeródromo, que podemos utilizar como base temporária para bombardeiros estratégicos».

«Se houver uma decisão política correspondente, então a utilização da ilha pela Força Aérea russa é possível», acrescentou Zhikharov. A Interfax noticiou antes que Cuba tem quatro ou cinco bases aéreas com pistas suficientemente longas para aterragem e descolagem de grandes bombardeiros.

Alexei Pavlov, funcionário do Kremlin, disse, no entanto à Associated Press que o militar estava a «falar sobre possibilidades técnicas, nada mais. Se houver algum desenvolvimento, então poderemos comentar».

Obama não comenta

Mike Hammer, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional do Presidente norte-americano Barack Obama declarou: «Não comentamos hipóteses».

Funcionários da Presidência e do Ministério da Defesa da Venezuela recusaram qualquer comentário imediato e não foi possível contactar qualquer porta-voz cubano.

Recorde-se que o Presidente Hugo Chávez disse, numa intervenção televisiva a 7 de Setembro de 2008 que «todos estes aviões e navios de longo alcance precisam de um lugar onde possam parar. Onde hão-de parar? Vão parar em território de países que não gostam deles? Não. Eles estão à procura de aliados estratégicos».

«A Rússia é bem-vinda - tanto a sua frota aérea como naval», disse Chávez. «Nós somos aliados estratégicos da Rússia».