Os Presidentes dos Estados Unidos e de Cuba, Barack Obama e Raúl Castro, mantiveram este sábado conversações históricas no Panamá, no primeiro encontro desde a década de 1950 entre líderes de antigos adversários da Guerra Fria. Barack Obama e Raúl Castro reuniram-se à margem da VII Cimeira das Américas que decorre na Cidade do Panamá, após terem emitido discursos conciliatórios perante cerca de 30 líderes regionais, noticia a AFP.

É o primeiro encontro entre os líderes dos dois países em mais de meio século.
 

«Esta é obviamente uma reunião histórica», disse Obama, defendendo que após 50 anos de uma política que se provou errada «era tempo de experimentar algo novo».

Em dezembro de 2014, Washington e Havana tinham anunciado o início das negociações para o reatar das relações, cortadas desde 1962.

«Podemos estar em desacordo com um espírito de respeito», afirmou Obama. «Com o tempo, é possível que possamos virar a página e desenvolver uma nova relação entre os nossos países», acrescentou o Presidente norte-americano.

 

«Estamos dispostos a falar de tudo, mas precisamos de ser pacientes, muito pacientes», afirmou Raúl Castro.
 

Já antes do encontro histórico a dois, o Presidente de Cuba desresponsabilizou, este sábado, o homólogo norte-americano da política em relação a Cuba seguida pelos «10 Presidentes» que o antecederam. Raúl Castro disse que « o Presidente Obama é um homem honesto» e pediu «a resolução» do embargo norte-americano à ilha.

Na sexta-feira, antes do início oficial da cimeira, Barack Obama e Raúl Castro tinham apertado a mão e trocado algumas palavras de cortesia. O mesmo tinha acontecido em 2013, na cerimónia fúnebre do ex-líder sul-africano, Nelson Mandela. Na altura já decorriam negociações secretas entre os EUA e Cuba.