O polícia norte-americano que agrediu uma estudante na sala de aula, na Carolina do Sul, esta segunda-feira, foi despedido. O xerife do condado de Richland, Leon Lott, já veio a público clarificar as circunstâncias do incidente e dizer que o agente não agiu corretamente.

Ben Fields perdeu o emprego, esta quarta-feira, na sequência das imagens divulgadas há dois dias, onde o homem surge a agarrar uma jovem pelo pescoço, a atirá-la para o chão, e a arrastar até a algemar.

De acordo com o testemunho dos alunos presentes no momento do incidente, a estudante foi repreendida porque recusou entregar o telemóvel à professora.

Segundo o xerife, Ben Fields, que trabalha na escola há vários anos, foi chamado porque a aluna tinha tido um comportamento incorreto na sala de aula. A professora terá pedido à jovem que abandonasse a sala, mas a estudante recusou sair. O incidente aconteceu depois do agente voltar a pedir-lhe que saísse.

O responsável da polícia de Richland explicou que o agente estava a cumprir o seu dever, mas que foi longe demais nas suas ações. Depois de analisadas as imagens, as autoridades concluíram que Ben Fields não agiu de acordo com os procedimentos ensinados na academia da polícia.

“Eu posso dizer o que ele não deveria ter feito: não deveria ter atirado aquela estudante para o chão”.


O caso já gerou muitas queixas, que começaram a chegar às unidades policiais imediatamente após o vídeo ter sido tornado público. O FBI abriu, inclusivamente, uma investigação sobre a eventual possibilidade de terem sido quebrados direitos civis.

Segundo a Associated Press, os advogados responsáveis pela defesa da estudante garantem que a jovem tem “gesso no braço, ferimentos no pescoço e na cabeça”, assim como “uma queimadura na testa”. Na terça-feira, o xerife tinha garantido que a aluna não tinha sofrido qualquer ferimento.

Para além da jovem que surge no vídeo, o polícia deteve uma outra aluna, minutos depois, por perturbar a sala de aula. Os nomes das raparigas não foram divulgados, mas as autoridades afirmaram que as duas já foram libertadas.

A polémica sobre a hipótese de ser tratado de um ato racista continua. Apesar de as autoridades insistirem que esta “não foi uma questão racial”, Lonnie Randolph, presidente da NAACP, disse à Associated Press que “a raça foi um fator, de facto”.

“Ser tirada do lugar onde estava sentada como foi, e atirada para o chão… não me lembro de nenhuma estudante branca que tenha sido tratada desta maneira. Isto não afeta estudantes brancos”.