Uma mulher americana descobriu que tinha vermes no olho, 14 no total, após queixar-se de irritação e inflamação. Os parasitas Thelazia gulosa são comuns em gado, mas não em pessoas. O caso de Abby remonta a agosto de 2016, mas só nesta segunda-feira foi publicado na revista científica American Journal of Tropical Medicine and Hygiene.

Foi em meados de agosto de 2016 que Abby Beckley começou a sentir comichão e vermelhidão no olho. Na altura, com 26 anos, trabalhava num barco comercial de pesca de salmão no Alasca.

Aquilo que pensava ser uma pestana era, afinal, um verme com pouco mais de um centímetro de comprimento, translúcido e filamentoso.

Estava vivo e a mexer-se”, contou ao The Washington Post.

Parasita Thelazia gulosa

Deslocou-se às urgências, onde não lhe foi dada qualquer explicação para o que se estava a passar. Ainda que não estivesse a sofrer de dores, o olho estava vermelho e inflamado.

Quando os oftalmologistas me viram, disseram que aquilo provavelmente era só muco”, acrescentou Abby.

Estando cada vez mais preocupada com o que poderia estar a acontecer, consultou um especialista em doenças infeciosas, que lhe assegurou de imediato que os vermes não representavam grande perigo, pois não teriam a capacidade de se reproduzir nem tão pouco deslocar-se até ao cérebro.

Eu mantive-me em contacto com ela e expliquei-lhe que a infeção era bastante localizada e não sistémica. Ela estava preocupada com a possibilidade de os parasitas poderem ir até ao cérebro”, afirmou Erin Bonura, especialista em parasitologia.

Foi um grupo de cientistas do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (Centers for Disease Control and Prevention) que solucionou o problema. Chegou-se à conclusão de que Abby tinha sido infetada por uma espécie de verme do olho - Thelazia gulosa - que não tinha sido encontrada até então em humanos. No total, 14 vermes foram retirados do seu olho.

Estes organismos afetam diversos animais de gado, mas as infeções em humanos são bastante raras. São transmitidos para os olhos através das moscas, que ingerem a larva que cresce até um verme adulto, alimentando-se de lágrimas e outras secreções.

Nas semanas anteriores à infeção, a jovem tinha estado em terrenos de gado, junto a vacas e a cavalos.

A explicação foi encontrada pelo parasitologista Richard Bradbury, num artigo publicado numa revista científica alemã, em 1928.

De acordo com informação do The Washington Post, nos Estados Unidos da América foram registados só mais 10 casos semelhantes, ainda que não tenham sequer envolvido este parasita em específico. O caso de Abby é um exemplo de que o contacto próximo entre humanos, animais e o meio ambiente pode levar à “possibilidade de os organismos se movimentarem”, tal como explicou o médico Eric Bonura.

Agora com 28 anos e estudante de psicologia na Universidade de Oregon, Abby afirma que a experiência a tornou mais consciente acerca da importância de lavar as mãos.

Se isto acontecer a mais alguém, eu quero que saibam que uma rapariga já passou por isto e está bem. O importante é não se assustar”, declarou.