Com as vitórias esmagadoras de Donald Trump e Hillary Clinton nas primárias desta terça-feira, os pré-candidatos estão a um passo de conseguirem assegurar a nomeação dos partidos republicano e democrata, respetivamente, deixando para trás os seus rivais por uma larga margem.

Trump venceu em todos os cinco Estados que foram a votos e Hillary em quatro, e com o número elevado de delegados que já têm “no bolso” a esta altura, está a tornar-se praticamente impossível para Ted Cruz, John Kasich (republicanos) e Bernie Sanders (democrata) conseguirem inverter a tendência.

Com praticamente todos os votos contados, mas com delegados ainda a serem atribuídos, Donald Trump tem neste momento cerca de 950 delegados – que vão votar para escolher o candidato às presidenciais na convenção nacional de julho – dos 1.237 necessários para garantir a nomeação. O candidato mais próximo do magnata é Ted Cruz com 560, seguido de John Kasich com 153. Este último é de longe o pré-candidato mais atrás, não tendo ainda ultrapassado sequer Marco Rubio, que abandonou a corrida à nomeação depois de conquistar alguns Estados.

Os esforços de Cruz estão agora concentrados no Estado do Indiana, que com o sistema Winner Take All (WTA) – o pré-candidato com mais votos fica com todos os delegados – pode dar início a uma improvável recuperação do republicano. Se por outro lado perder, o número de delegados de Trump fica quase no dobro, e com cerca de 600 delegados ainda por atribuir, Trump teria de perder todos os Estados restantes por grandes margens para que Cruz ainda conseguisse alcançar a nomeação direta.

John Kasich (E), Donald Trump e Ted cruz (D)

John Kasich está matematicamente eliminado da corrida, sendo já impossível que consiga os 1.237 delegados necessários, e tecnicamente está fora das contas do Indiana, devido ao acordo que fez com Ted Cruz. Os dois pré-candidatos concordaram em “desistir” de alguns Estados a favor do outro, para que a corrida contra Trump se faça a dois, de forma a não dividir delegados. Kasich vai “afastar-se” do Indiana (que garante 57 delegados) e Cruz do Oregon e do Novo México.

Não são propriamente os 12 trabalhos de Hércules, mas os trabalhos dos dois pré-candidatos não serão fáceis. O pré-candidato Trump, que ao início todos viam como uma piada, e um pré-candidato de segunda linha, é agora o favorito para a nomeação, com poucas probabilidades de ser ultrapassado. Aliás, o magnata já se considera o vencedor da corrida à nomeação, tendo afirmado esta terça-feira que é “o presumível candidato republicano” às eleições de novembro.

Na minha opinião acabou. Estes dois tipos não vão ganhar isto. Por que haveria [eu] de mudar? Se tiverem uma equipa de futebol, estiverem a ganhar, e chegarem ao Superbowl, não mudam o vosso quarterback, certo? (…) Considero-me o presumível candidato, sem dúvida. O senador [Ted] Cruz e o governador [John] Kasich deviam abandonar a corrida".

E como prova já dirige os seus ataques a Hillary Clinton.

A Hillary vai ser horrível, absolutamente horrível, em termos de desenvolvimento económico. Ela vai ser terrível no que toca ao emprego. Não sabe nada sobre emprego, excepto empregos para ela”.

Trump ataca Hillary e não Sanders porque sabe que será ela a pré-candidata a assegurar a nomeação. Bernie Sanders ainda não está matematicamente eliminado, mas está perto disso, e pior, para conseguir alcançar os 2.383 delegados necessários, seria preciso que Hillary somasse pesadas derrotas daqui para a frente.

De acordo com o Associated Press, a ex-secretária de Estado tem 2.141 delegados, enquanto Sanders tem apenas 1.321. Números que, ainda assim, podem ser enganadores devido ao sistema dos “superdelegados”, os democratas que apesar de escolherem um candidato, podem mudar o sentido de voto na Convenção Nacional. Hillary tem mais de 500 destes, enquanto Sanders não conseguiu ainda 50.

Com 1.303 delegados (e superdelegados) por atribuir nos Estados que restam, a situação de Sanders não é tão má como a de Kasich do lado dos republicanos, porém os trabalhos do senador do Vermont vão exigir que se transforme num Hércules.

Num discurso esta terça-feira à noite, Hillary Clinton já se dava como vencedora, e com a mesma confiança de Trump, já lançou os seus ataques para o lado dos republicanos.

Com a vossa ajuda, vamos regressar a Filadélfia para a Convenção Anual Democrata, com mais votos e mais delegados. Vamos unificar o nosso partido para ganhar esta eleição e construir uma América onde possamos evoluir todos juntos.”

“No outro dia o sr. Trump acusou-me de jogar o ‘trunfo’ de ser mulher. Pois bem, se lutar pela assistência médica para as mulheres, por licenças parentais e igualdade nos salários é jogar o ‘trunfo’ de ser mulher, então, contem comigo", disse.

Veja abaixo todos os resultados das primárias (passe o rato sob os Estados para conhecer os vencedores).