Os Estados Unidos recuaram na decisão de fazer regressar as suas tropas do Afeganistão. Depois Barack Obama ter anunciado uma redução do contingente já no próximo ano e um regresso dos militares antes do final do seu mandato, que termina em 2017, o presidente anunciou uma mudança de planos: vai manter os atuais 9.800 homens no terreno em 2016 e em 2017 haverá uma redução para 5.500.

Obama sublinhou, em conferência de imprensa, esta quinta-feira, que a situação no país ainda é "frágil" e que a missão norte-americana é vital para salvaguardar a segurança dos EUA.

"Como líder não vou permitir que o Afeganistão seja usado por terroristas como um paraíso seguro para atacarem a nossa nação novamente." 


O presidente norte-americano vincou ainda que deve ficar bem claro para as milícias talibãs que a retirada das tropas só poderá acontecer depois de um acordo de paz entre os rebeldes e o governo afegão.

A decisão, anunciada esta quinta-feira, surge na sequência da recente ofensiva talibã no norte do Afeganistão, que levou à tomada de Kunduz. Foi no final do mês passado que os rebeldes conseguiram o controlo de Kunduz, provocando um cenário de terror e obrigando à fuga de milhares de habitantes.

Apesar de o governo do Afeganistão ter recuperado a cidade três dias depois e de esta semana os talibãs terem confirmado que já não estão em Kunduz, esta foi a maior ofensiva dos radicais em 14 anos de guerra e deixou marcas. Por um lado porque recordou o povo afegão, e da pior forma, os anos de opressão e violência durante o regime talibã e, por outro lado, porque expôs as fragilidades das forças afegãs, pondo em causa a confiança no presidente Ashraf Ghani que, no ano passado, foi eleito com promessas de acabar com o conflito.

O secretário de estado da Defesa, Ash Carter, já tinha sinalizado uma alteração de planos num discurso na quarta-feira.

“A narrativa de que vamos deixar o Afeganistão é uma auto-derrota. Não vamos, não podemos e fazê-lo não seria para ficar com a vantagem do sucesso que tiemos até aqui.”


Além da ameaça talibã, outra das preocupações de Washington no Afeganistão é o crescente fluxo de radicais do Estado Islâmico, que usam o país para recrutar novos guerrilheiros.

Assim, a missão de Washington no Afeganistão é uma questão que deverá marcar as próximas presidenciais norte-americanas. O sucessor de Obama será o terceiro presidente dos EUA a governar com a presença de tropas em Cabul, que, recorde-se se iniciou sob a liderança de George W. Bush, no rescaldo dos atentados do 11 de setembro.