Barack Obama e George W. Bush quebraram o silêncio que normalmente os antigos líderes dos Estados Unidos mantêm em relação aos sucessores e criticaram as políticas do atual presidente, Donald Trump.

As declarações dos antigos líderes foram feitas esta quinta-feira, em situações diferentes, e, embora nenhum dos dois tenha mencionado Trump pelo nome, o alvo das críticas estava implícito.

Obama discursou durante um evento do Partido Democrata, em Newark, Nova Jérsia. O ex-presidente apelou aos norte-americanos para rejeitarem as políticas de “divisão” e de “medo” que “vemos agora” e que remonatam a outros séculos, não a este. 

Não podemos ter as mesmas velhas políticas de divisão que existiam há séculos. Pensávamos que algumas das políticas que vemos agora tinham sido deixadas para trás. Estamos a olhar 50 anos para trás. Este é o século XXI e não o século XIX.”

Depois, já num outro evento em Richmond, na Virgínia, Obama frisou que há quem esteja a "demonizar as pessoas que têm ideias diferentes.

Temos pessoas que estão deliberadamente a tentar fazer com que outras se zanguem, demonizando pessoas que têm ideias diferentes.”

No mesmo dia, algumas horas antes, em Nova Iorque, George W. Bush, que até foi eleito pelo mesmo partido que Trump, o Republicano, também usou da palavra para criticar o atual presidente.

O antigo líder norte-americano notou que as políticas do país parecem agora "mais vulneráveis às teorias de conspiração e à fabricação" e apontou diretamente o dedo às medidas anti-imigração da Casa Branca.

Parece que as forças que nos tentam afastar são mais fortes do que as que nos tentam juntar. Vemos o nacionalismo a transformar-se em nativismo, esquecendo o dinamismo que a imigração sempre trouxe à América", vincou Bush.

Até agora, tanto Obama como Bush tinham recusado comentar as medidas da nova administração norte-americana.

Antes de ter sido eleito, no ano passado, Trump teceu duras críticas a ambos, descrevendo-os como os piores presidentes da história dos Estados Unidos.