[Notícia atualizada]

O resultado da autópsia preliminar ao jovem morto a tiro pela polícia em Ferguson, no estado norte-americano do Missouri, aumentou os gritos de revolta nas ruas.

O governador do Missouri disse esta segunda-feira que vai enviar a Guarda Nacional para reestabelecer a ordem no subúrbio de Ferguson, St. Louis.

A cadeia norte-americana CNN avança que o exame revelou que Michael Brown foi alvejado seis vezes, duas delas na cabeça e quatro no braço direito. Todos os tiros foram disparados de frente para o jovem e uma das balas ficou alojada no olho direito de Brown.

Os disparos não foram realizados à queima-roupa, mas a arma utilizada é de alto calibre, dado os vestígios dos projéteis.

A comunidade afrodescendente considera o caso mais um exemplo de racismo sobre os negros e não abdica da revolta.





Os tumultos nas ruas continuaram na noite de domingo, em Saint Louis, subúrbio de Ferguson. A polícia confirmou que duas pessoas ficaram feridas por disparos mas que estes não foram realizados pelos agentes da autoridade. Os manifestantes responderam com cocktails molotov.





A polícia antimotim disparou gás lacrimogéneo para dispersar o protesto. As forças de segurança tentavam dispersar um grupo, sobretudo de jovens, mobilizado cerca de três horas antes da meia-noite (06:00 em Lisboa), hora em que entrou em vigor o recolher obrigatório.

Alguns jovens transportavam cartazes em protesto contra a brutalidade da polícia, de acordo imagens transmitidas pela televisão.

Jay Nixon, Governador do Missouri, disse que vai enviar militares da Guarda Nacional para o local para dispersar os manifestantes, terminar com os tumultos nas ruas e reestabelecer a ordem social.

Morte sem motivo

Na missa de domingo, centenas de pessoas clamaram por justiça e choraram a morte trágica do jovem. Um primo da vítima, Ty Pruitt, voltou a frisar que a morte de Michael Brown aconteceu sem qualquer justificação.

«O que quero lembrar é que Michael Brown não era só um jovem rapaz negro. Ele era um ser humano», disse Ty Pruitt, acrescentando: «Ele não era suspeito. Ele não era um objeto. Ele não era um animal. Mas foi assim que o mataram.»

Também os pais de Brown estiveram na igreja acompanhados pelo advogado Benjamin Crump. «A única coisa que queremos é que seja feita justiça. Não pedíamos nada de extraordinário. Nós só queremos o que qualquer pessoa desejaria se visse o seu filho abatido na rua em plena luz do dia», afirmou o advogado.

O departamento de justiça já veio informar que vai requerer outra autopsia ao corpo do jovem Michael. O exame será conduzido pelos médicos legistas federais.

Entretanto, foi divulgado no Youtube uma vídeo onde se ouve um polícia a ameaçar um repórter de imagem, alegadamente com uma arma, para que este desligue a seu câmara.