Terça-feira à tarde, mais um caso de morte de um cidadão negro pela polícia. Desta vez, foi em El Cajon, subúrbio da cidade de San Diego, no estado norte-americano da Califórnia.

Desde então, os protestos têm crescido. El Cajon tornou-se mais um pólo da campanha Black Lives Matter (As Vidas dos Negros têm Valor), com os manifestantes a exigirem a divulgação de um vídeo que a polícia tem na sua posse, cedido por uma testemunha ocular.

Pelo que se sabe e a própria polícia reconhece, os agentes foram alertados na terça-feira através do 911 (correspondente ao 112) para um homem que deambulava erraticamente atrás de um restaurante.

Dois agentes, com 21 anos de serviço, interceptaram o homem. Este terá juntado as suas mãos, tendo na mão um cigarro eletrónico. Foi de imediato alvejado pelos polícias: com um ‘taser’, a pistola que envia descargas elétricas, e com uma bala. Morreu.

Investigação e protestos

Em comunicado, a polícia já veio explicar a ocorrência. E frisou que, pelo vídeo que possui, Alfred Olango não tinha as mãos no ar quando foi intercetado.

O caso está sob investigação e em conferência de imprensa, a polícia revelou mesmo a identidade de um dos agentes, além de assumir que, de facto, o homem tinha nas mãos, apenas, um cigarro electrónico.

O vaporizador tem um cilindro prateado de 2,5 centímetros de diâmetro e 7,5 de comprimento”, explicou a polícia, tentando justificar o sucedido.

"Mataram o meu irmão à minha frente"

Desde a noite de terça-feira que os protestos saíram às ruas de El Cajon e são registados e difundidos pelas redes sociais.

Com barreiras formadas pela polícia de choque e com forte vigilância, alguns protestos têm sido marcados por agressões. Pela descrição, terá mesmo havido um caso em que um apoiante do candidato republicano Donald Trump às presidencias norte-americanas foi perseguido.

Os ânimos têm estado exaltados, mais ainda porque os manifestantes exigem a divulgação de um vídeo em posse da polícia, mas já viram um outro, transmitido em direto na rede Facebook, logo após a morte de Alfred Olango.

Aí, uma mulher grita que foi ela que chamou por socorro através do 911, diz ser irmã da vítima e que Alfred era um homem doente.

Vocês mataram o meu irmão à minha frente. Porque é que não lhe deram com o taser? Porquê? Porquê?", ouve-se a mulher a dizer, a qual, a polícia não confirma se é mesmo irmã do morto.