Em apenas dois dias, os caçadores da Flórida, nos EUA, mataram mais de 300 ursos-negros. A prática controversa foi autorizada pelo governo para controlar a população desta espécie neste Estado.

Desde 1994 que a caça de ursos era proibida na Flórida, mas voltou a ser legal este ano, depois da Comissão para a Conservação de Peixe e Vida Selvagem ter constatado que a população de ursos-negros tinha disparado.

Por esta razão, o governo lançou um programa para conter a espécie, vendendo autorizações aos caçadores para matar alguns animais, sob algumas restrições. Na sexta-feira, a organização já tinha vendido mais de 4.000 licenças de caça, um número que ultrapassa a população de ursos-negros existentes na área, que não chega aos 3.000.

De acordo com a AFP, a caça deveria estender-se por sete dias, mas teve de ser suspensa no domingo, uma vez que, só no fim de semana, foram abatidos 320 ursos. A organização garante que esta era a quota necessária e que não será preciso caçar mais animais, este ano.

Durante os dois dias, os caçadores tiveram autorização para caçar ursos-pretos até 45 quilos, uma vez que não era permitido matar ou ferir crias. A organização teve de restringir a atividade, permitindo apenas a caça de um urso por caçador.

As autoridades garantem ainda que o plano era uma medida necessária, pois têm sido registados vários ataques a pessoas, na região.

Mas, apesar de todas as restrições, vários grupos de ativistas já vieram a público condenar a prática.
 

“Esta caça foi completamente desnecessária e não é apoiada pela ciência nem pela sensibilidade pública”, afirmou Kate MacFall, da Sociedade Humana dos EUA, em entrevista à AFP.

“Os estudos têm indicado que a caça não reduz os problemas com os ursos nos bairros. O Estado devia era ajudar os cidadãos a conter o lixo e as fontes de comida ao ar livre”.