Notícia atualizada às 12:12

Dois homens foram baleados e 31 pessoas foram detidas depois de mais uma noite de distúrbios e protestos no subúrbio norte-americano de Ferguson.

Durante o dia de segunda-feira, os protestos decorreram de forma pacífica, mas, após o cair da noite e apesar da presença dos soldados da Guarda Nacional, registaram-se confrontos entre as autoridades e um grupo dos manifestantes.

De acordo com o capitão Ron Johnson, da Polícia Estatal de Autoestradas do Estado do Missouri, os manifestantes começaram a disparar, mas as forças de segurança nunca responderam.

«Os agentes não dispararam uma única vez apesar do forte ataque», garantiu, citado pela Reuters, acrescentando que quatro polícias ficaram feridos.

O mesmo responsável disse à CNN que duas pessoas foram baleadas, mas garante que os tiros não foram disparados pela polícia. Não se sabe o estado de saúde dos baleados, apenas que foram transportados para o hospital.

O envio da Guarda Nacional não conseguiu apaziguar a tensão nas ruas de Ferguson, tendo-se registado nas últimas horas distúrbios que já foram apontados como tendo sido dos mais violentos desde o início dos protestos, provocados pela morte de Michael Brown, o jovem negro de 18 anos morto a tiro por um polícia branco.

Centenas de manifestantes voltaram a ocupar a avenida West Florissant, em Ferguson, epicentro dos protestos, após a concentração que decorreu de forma pacífica.

Registaram-se confrontos, detenções, duas pessoas ficaram feridas pelos disparos de balas e a polícia usou granadas de gás lacrimogéneo e bombas de fumo para dispersar a multidão.

A situação agravou-se a partir das 22.00 (03:00 em Lisboa), na altura em que a polícia começou a avisar os manifestantes que tinham de abandonar as ruas ou, caso contrário, poderiam ser detidos.

Como reação à ordem, várias pessoas lançaram cocktails molotov contra as forças de segurança.

Duas horas depois, a polícia carregou sobre os manifestantes com material antimotim, avisando através de altifalantes que a zona não era segura e que todos os presentes deveriam regressar a casa, incluindo os jornalistas que se encontravam no local.

A maioria dos manifestantes acatou a ordem, tendo permanecido um grupo de cerca de cem pessoas que resistiu à polícia, que efetuou no momento várias detenções.

Ron Johnson, o afro-americano que foi chamado para liderar a força policial para acalmar as acusações de racismo, desabafou aos jornalistas no final da noite: «Isto tem de parar. Não quero que ninguém se magoe. Temos de arranjar maneira de acabar com isto». O estado de emergência e o recolher obrigatório não estão a ser suficientes.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apelou esta segunda-feira à calma.

No entanto, o resultado da autópsia a Michael Brown aumentou a tensão, uma vez que se ficou a saber que o jovem negro foi baleado seis vezes pelo polícia Darren Wilson.