Quando há dois dias, venceu as primárias em mais cinco estados, Donald Trump disse que gostava de usar a analogia do lutador de boxe. E assim é. O excêntrico Trump está imparável e a caminho da nomeação como candidato republicano às eleições presidenciais dos Estados Unidos.

Donald Trump tornou-se na vedeta desta eleição. A história até poderia ser divertida, se não estivéssemos a falar da nação que ainda é a mais poderosa do mundo. Mas como a América é a América, seguir a campanha de Trump obriga a reflexões mais precisas e menos jocosas.

Trump tem os seus méritos, há que o reconhecer. Desde logo, méritos televisivos. É o único candidato quer no campo republicano, quer no terreno democrata, que faz com que todas as estações de televisão – CBS, ABC, NBC, CNN, FOX, entre centenas de canais - interrompam as suas emissões para transmitir em directo todas as intervenções do magnata. Isto não acontece com mais nenhum candidato, nem sequer com Hillary Clinton que não é propriamente um caso de extrema popularidade.

Donald Trump também conseguiu baralhar o pensamento político norte-americano. Os grandes, médios e pequenos analistas andam aos papéis. Ninguém antecipava que, nesta fase dos acontecimentos, Trump estivesse a um passo da nomeação, cuja convenção decorrre em Cleveland (Ohio ) entre 18 e 21 de julho. As grandes figuras dos “think-tanks “ colapsaram porque não conseguem interpretar o fenómeno. Nem mesmo a conservadora FOX, sempre alinhada com os republicanos, está a perceber o que se passa.

O problema de Trump está no que ele significa, nas suas convicções e nas decisões que antecipadamente comunica ao mundo. É xenófobo, não quer mais imigrantes, não gosta dos mexicanos, tem reservas em relação à China, muçulmanos são para abater, Médio Oriente é para refazer toda a doutrina política americana….e  muito, muito mais.

Há uns anos, na quinta avenida, junto às suas torres, Trump fazia parar o trânsito com televisões à sua volta, num frenesim louco. Tratava-se apenas da gravação de uma campanha publicitária, centrada no sector imobiliário.

Agora, os seus aviões e os seus milhões de dólares circulam pela América numa campanha que ele encarou com agressividade e atrevimento.

Vamos ver como acaba a luta de boxe.