A Central Intelligence Agency (CIA) destruiu 92 gravações em vídeo de interrogatórios a suspeitos de terrorismo. É um número bem mais elevado do que o inicialmente admitido, revelou segunda-feira o procurador federal, Lev Dassin, em carta enviada ao juiz encarregue do caso, Alvin Hellerstein.

A agência de serviços secretos «pode agora confirmar o número de cassetes destruídas. Foram 92», lê-se na carta a que a AFP teve acesso.

Os vídeos mostram suspeitos da Al-Qaeda capturados durante a administração Bush a serem submetidos ao «waterboarding», uma técnica de tortura que consiste numa simulação de afogamento.

O jornal New York Times revela que as gravações exibem interrogatórios realizados em 2002 com Abu Zubaydah, suspeito de ser um importante membro da Al-Qaeda, e com Abdel Rahim al-Nachiri, supostamente envolvido no ataque ao navio norte-americano USS Cole no Iemen, em 2000.

Em Dezembro de 2007, o então director da CIA, Michael Hayden, admitiu que as imagens foram apagadas em 2005 para destruir provas do uso de técnicas de interrogatório polémicas, como o «waterboarding», que «representavam um risco de segurança» dos agentes envolvidos.

A AFP recorda que a divulgação destas informações surge numa altura em que está prestes a ser concluída uma investigação federal para determinar se a destruição das gravações viola as leis existentes.

Em simultâneo, a comissão de serviços secretos do Senado anunciou, a semana passada, que vai avançar com uma investigação ao programa de detenção e interrogatórios da CIA. Isto para determinar as condições a que foram submetidos os suspeitos de terrorismo capturados pelos agentes norte-americanos.

«Esta carta é mais uma prova para levar a CIA à justiça», afirmou em comunicado o advogado da American Civil Liberties Union (ACLU), a organização responsável pela exposição do caso.

«O grande número de gravações de vídeo destruídas confirma que a agência empreendeu uma tentativa sistemática de ocultar as evidências de seus interrogatórios ilegais e se esquivar das ordens do tribunal», indicou Amrit Singh. «Já está na hora da CIA assumir o desprezo que tem pelo Estado de Direito», concluiu.