Os líderes das duas Coreias, Kim Jong-un e Moon Jae-in, acordaram nesta sexta-feira tomar medidas para a “completa desnuclearização” da península coreana, durante a histórica cimeira realizada na fronteira entre os dois países.

O Sul e o Norte confirmaram a sua meta comum de conseguir uma península livre de armas nucleares através da completa desnuclearização”, refere a declaração conjunta, assinada por ambos os líderes no final da cimeira.

De acordo com um comunicado conjunto divulgado no final de uma cimeira histórica, 65 anos após o conflito ter terminado com um armistício, as duas Coreias vão procurar este ano acabar com a guerra de modo permanente. 

Os dois vizinhos procurarão com os Estados Unidos e talvez também com a China – ambos signatários do cessar-fogo, na ausência de um tratado de paz – “declarar o fim da guerra e estabelecer um regime de paz permanente e sólido”, refere o texto.

O presidente da Coreia do Sul anunciou ainda que vai visitar a Coreia do Norte no outono deste ano.

O "mundo" já reagiu entre as reservas e a esperança.

Os Estados Unidos manifestaram a esperança de que a cimeira entre o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, conduza a “um futuro de paz”.

Esperamos que as conversações permitam caminhar para um futuro de paz e de prosperidade para toda a península coreana”, afirmou a Casa Branca em comunicado, pouco depois de os líderes das duas Coreias darem um aperto de mão sobre a linha de separação dos dois países, no paralelo 38.

Washington desejou ainda “boa sorte ao povo coreano” e sublinhou a intenção de “prosseguir as discussões aprofundadas para a reunião prevista entre o presidente Donald J. Trump e Kim Jong-un nas próximas semanas”.

Já depois do comunicado emitido pela Casa Branca, o presidente dos EUA saudou hoje o “encontro histórico” entre os líderes da Coreia do Norte e da Coreia do Sul depois de “um ano furioso de lançamentos de mísseis e de testes nucleares”.

Estão a acontecer coisas positivas, mas só o tempo o dirá”, escreveu Trump no Twitter.

 

Noutra mensagem naquela rede social, Trump afirmou que os norte-americanos devem estar “muito orgulhosos” do encontro. “A guerra coreana vai acabar! Os Estados Unidos e todo o seu grande povo devem estar muito orgulhosos do que está a acontecer na Coreia”, escreveu.

Pequim saúda "coragem" dos líderes coreanos

A República Popular da China aplaude o encontro entre o líder da Coreia do Norte e o presidente da Coreia do Sul saudando a “coragem” e considerando a cimeira “um momento histórico”.

A China aplaude a etapa histórica alcançada pelos dois dirigentes, admiramos a coragem e esperamos que as resoluções políticas venham a atingir frutos positivos”, declarou Hua Chunying, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Pequim.

Os líderes das duas Coreias estão reunidos na zona desmilitarizada que divide os dois países numa cimeira classificada como histórica e a terceira do género desde que a Guerra da Coreia terminou em 1953.

O encontro é considerado o precursor da anunciada cimeira entre o presidente norte-americano e o líder norte-coreano.

Reino Unido mantém reservas sobre nuclear

O chefe da diplomacia britânica, Boris Johnson, saudou o encontro entre os líderes coreanos, mas mantém reservas quando às ambições sobre as questões relacionadas com a energia nuclear por parte da Coreia do Norte.

“Estou muito encorajado sobre o que está a acontecer”, disse Johnson à margem de uma reunião da NATO em Bruxelas acrescentando que ainda é cedo para chegar a conclusões sobre a questão da energia nuclear.

“Face à história dos planos de desenvolvimento de armas nucleares da Coreia do Norte não creio que ninguém possa estar otimista, nesta altura. Mas o encontro entre os dois líderes é claramente uma boa notícia”, afirmou o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros.

Rússia saúda “novidades muito positivas” 

O Kremlin saudou hoje as “novidades muito positivas” relativamente à paz entre as duas Coreias, que anunciaram a intenção de acabar este ano com a guerra, de forma permanente.

Esta é uma notícia muito positiva", disse aos jornalistas o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

O presidente russo, Vladimir Putin, "sublinhou repetidas vezes que uma solução viável e estável da situação na península coreana só podia basear-se no diálogo direto e hoje vemos que o diálogo direto se realizou", sublinhou.

No final de uma cimeira entre os líderes da Coreia do Norte, Kim Jong-un, e da Coreia do Sul, Moon Jae-in, os dois países vizinhos disseram que vão procurar, com os Estados Unidos, e talvez também com a China, “declarar o fim da guerra e estabelecer um regime de paz permanente”

O anúncio foi feito no final de uma cimeira histórica, 65 anos após o conflito ter terminado com um armistício.

Portugal considera que "gelo está quebrado" entre as duas Coreias 

 O ministro dos Negócios Estrangeiros português afirmou hoje que “o gelo está quebrado” com a aproximação entre as duas Coreias, mas alertou que os gestos protagonizados pelos dois líderes são apenas o primeiro passo no sentido da paz na península.

O gelo está quebrado. Nestes processos o primeiro passo é o mais difícil e esse primeiro passo está dado. Portanto, estou otimista”, assumiu Augusto Santos Silva.

O chefe da diplomacia portuguesa, que falava à margem da reunião dos Ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO, a decorrer hoje em Bruxelas, sublinhou que “os gestos são muito importantes em política externa e nas relações diplomáticas, mas ainda são gestos”.

Há aqui um ato refundador, que é a possibilidade de ter havido uma reunião face a face dos líderes das duas Coreias, mas agora é preciso avançar no sentido de termos resultados concretos, no sentido da paz e da estabilidade na região”, completou.

Santos Silva disse que há vários resultados concretos que podem ser alcançados com esta aproximação e o primeiro será o fim formal da guerra da Coreia.

Mas mais importante é que haja um espaço para que as conversações necessárias entre a Coreia do Norte e outros países muito importantes, como os Estados Unidos, possam fazer-se em condições produtivas e a breve trecho e que possamos avançar todos no sentido da desnuclearização da península da Coreia”, indicou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português defendeu ainda que é “muito importante” que a comunidade internacional, designadamente através das Nações Unidas, possa acompanhar este processo.