A guerra dos Aliados contra o Iraque terminou com a queda de Saddam Hussein. Na altura, os aliados foram altamente criticados por uma guerra que visava destruir armas químicas que não existiam. Ou que, pelo menos se disse que não existiam.

Agora, passados anos mas com a ameaça do grupo dissidente da al Qaeda que quer criar o Estado Islâmico, o «New York Times» revela os testemunhos de alguns dos militares americanos que combateram no Iraque e que encontraram efetivamente armas químicas no pais de Saddam. Entre 2004 e 2010, os militares americanos encontraram milhares de armas químicas.

Jarrod L. Taylor, um sargento do Exército americano na reserva disse que «lhe dá vontade de rir» quando ouve dizer que não havia armas químicas no Iraque, acrescentando que tanto o público como o próprio Congresso foram mal informados sobre as descobertas.

Depois da guerra, o assunto foi abafado nas Forças Armadas, mas os militares americanos e os militares iraquianos treinados pelos americanos descobriram pelo menos cinco mil armas químicas no Iraque, que vive atualmente um braço de força entre o governo e os jihadistas que autoproclamaram o Estado Islâmico do Iraque e da Síria.

Há um episódio relatado pelo «NYT» em que um grupo de militares, em agosto de 2008, destruiu uma gruta com material bélico antigo, mas, de seguida, foram inundados por um cheiro e depararam-se com um líquido que não era água. Feito o teste, depararam-se com armas químicas. Tratava-se de um gás destinado a queimar a atacar as vias respiratórias superiores, pele e olhos do inimigo. Apercebendo-se do perigo, o superior no local só gritou às suas tropas para que abandonassem o local.

Mas, este não foi caso único. No entanto, as Forças Armadas trataram o caso com discrição e um militar que foi atingido por uma arma química e que se sentiu como um «porco», com partes do corpo queimadas, mas que, apesar dos pedidos do seu superior, não teve direito sequer a que o tratamento hospitalar lhe fosse pago. Estávamos em 2007.

As armas encontradas eram antigas, anteriores a 1991 – data da primeira guerra no Iraque; a segunda ocorreu após os atentados de 11 de setembro – daí o embaraço da administração norte-americana que batera o pé que o país tinha armas químicas após o 11 de setembro.

A esta razão acrescenta-se outra: é que em vários casos, o material encontrado era de design americano e manufaturado na Europa.