A coligação opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) emitiu esta um comunicado, assegurando que ao contrário do que pensa o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a Venezuela não é uma ameaça para os norte-americanos.

«A Venezuela não é nenhuma ameaça para nenhum país. São as políticas do atual Governo venezuelano que ameaçam e restringem o direito dos nossos cidadãos a viver e progredir em paz», afirma.


No documento, divulgado em Caracas, a MUD diz que «é por uma mudança pacífica, democrática, eleitoral e constitucional» que «luta na Venezuela e junto com o povo, seu legítimo protagonista»--

«Há que distinguir entre sanções a um país e sanções a umas pessoas, pelo que temos sido conscientes ao condenar as medidas gerais contra uma nação inteira, mas isso nada tem a ver com as consequências pessoais que possam ter para os indivíduos que cometam atos que violem os direitos humanos ou atentem contra o património público e bem-estar dos seus concidadãos», afirma.

A oposição diz ainda preferir «a ação preventiva que implica o acatamento dos métodos, regras e instituições de que dispõe a comunidade internacional, dentro do direito, a ações sancionadoras unilaterais».

«Mas denunciamos que esta lamentável situação é propiciada precisamente pelo Governo da Venezuela, ao desrespeitar e desacatar os pronunciamentos de instâncias da ONU, - como o Comité contra a Tortura e o Grupo de Trabalho contra Detenções Arbitrárias, que reiteradamente tem pedido a liberdade dos presos de consciência venezuelanos (…) -, e ao ignorar as medidas adotadas sobre a Venezuela pelo Sistema Interamericano de Direitos Humanos», refere.

O documento conclui explicando que a oposição recebeu «com apreço e agradecimento o apoio da comunidade internacional» mas que não «aspira nem admite que a comunidade internacional ou algum dos seus membros assuma deveres» que são dos venezuelanos.

«Assim como condenamos a grosseira ingerência cubana, não propiciamos nem aceitamos nenhuma outra. Esta é uma luta dos venezuelanos pela Venezuela», conclui.

O Presidente dos EUA, Barack Obama, ordenou na segunda-feira a aplicação de novas sanções a sete altos quadros venezuelanos, atuais e antigos, que acusa de violação dos direitos humanos.

As sanções a aplicar aos sete dirigentes, entre os quais o diretor-geral dos serviços secretos e o diretor da polícia nacional, contemplam a proibição de entrada nos Estados Unidos e congelamento de bens.

Obama declarou igualmente que existe uma situação de «emergência nacional» nos Estados Unidos devido ao «extraordinário risco» que representa a situação na Venezuela para a segurança norte-americana.