Por: Hugo Beleza | 20- 1- 2009 21: 48
No dia 5 de Novembro de manhã, o PortugalDiário encontrou Andre Cameron na Avenida da Liberdade. Emocionado e eufórico, vestia uma camisola com
a cara de Obama e exibia no boné o nome do homem que acabara de ser eleito presidente dos EUA. «Americano de gema», apresentou-se.
Afro-americano como o antigo senador do Illinois. Sozinho, numa manhã lisboeta luminosa, dizia há dois meses que sentia toda
a alegria do mundo. Esta terça-feira à tarde, cheio de amigos à volta de uma mesa do Hard Rock Café, viu pela primeira vez
um cidadão negro jurar fidelidade como chefe de Estado do seu país.
Veja a reportagem em vídeo
«Só comecei a frequentar a escola com crianças brancas aos
14 anos, porque era tudo separado e essa era a lei nos EUA», recordava assim a sua infância o músico de 51 anos, quando falámos
com ele em Novembro. Esta tarde, novamente emocionado, descreveu como histórica a tomada de posse de Obama, 54 anos depois
de Rosa Parks ter recusado dar o seu lugar a um cidadão branco num autocarro, em Montgomory e ter dito basta à segregação
racial.
Entre hambúrgueres, batatas fritas e bebidas, Andre sentou-se entre amigos para assistir à passagem de testemunho
dos destinos do país mais poderoso do mundo das mãos de George W. Bush para as de Barack Obama. E levantou-se várias vezes
para aplaudir e entoar o hino do seu país, quando este irrompeu no monitor gigante que tinha à sua frente.
«A primeira
coisa que [Barack Obama] pode mudar é a imagem dos EUA no mundo inteiro, que sofreu muito com oito anos de George Bush», disse
Andre. Ao seu lado, Mark Ramirez, outro norte-americano em Lisboa, de origem hispânica, acentuou esta ideia: «Esta época de
George Bush foi muito terrível para os americanos».
Numa mesa multicultural, estava ainda sentada a sul-africana
Maja Plüddemann, que disse esperar com a chegada de Obama à Casa Branca uma mudança de mentalidades, e o casal transatlântico
Denise (norte-americana) e Jon Luxton (britânico). Ela disse que «é um alívio haver uma mudança nos EUA, porque durante oito
anos foi uma desgraça». Ele espera que renasça a «esperança para uma vida melhor, para a paz».
Quer nos olhos negros
de André quer nos azuis de Alice Caplow-Sparks, outra das presentes, a emoção manifestou-se com a mesma transparência. «Sinto-me
muito orgulhosa por ser americana, por ter também ajudado neste acontecimento», disse ela, realçando que, apesar das dificuldades
que Barack Obama terá de enfrentar, trouxe uma novidade que o seu país não conheceu nos últimos anos: «A esperança no futuro».
Programação - Semana de 13 de Fevereiro a 19 de Fevereiro
Discurso DirectoPrograma onde o que conta é a palavra do cidadão.
Olhos nos OlhosA análise semanal de Medina Carreira.
Observatório do Mundo «A marcha dos jovens contra o aborto», hoje à noite.