Ethan Cough matou quatro pessoas, porque sofre da síndrome de “affluenza”. Este foi o argumento da defesa, que não impediu que fosse condenado a dez anos de prisão com pena suspensa. Em vez de aprender a lição, o jovem norte-americano, com o apoio da mãe, resolveu fugir do país e até teve uma festa de despedida. Vai agora ser extraditado do México e ambos estão sujeitos a uma pena de prisão efetiva.
 
Ethan Cough, de 18 anos, podia, no século XXI, ser uma personagem do “The Great Gatsby”, o romance de F. Scott Fitzgerald, que retrata a sociedade americana abastada, publicado na década de 20 do século XX. O texano foi condenado, em 2013, aos 16 anos, pela morte de quatro pessoas, após abalroar um carro na estrada. O adolescente conduzia sob o efeito do álcool – com uma taxa de alcoolemia muito acima do limite legal – e causou ainda ferimentos nos amigos que seguiam no seu carro.

Durante o julgamento, os advogados de defesa argumentaram que o adolescente sofria da síndrome da “affluenza”, para descrever os jovens ricos que são criados sem sentido de responsabilidade. Ethan Cough seria, assim, uma vítima, mas a doença não é reconhecida pela sociedade americana de psiquiatria.
 
O argumento não colheu junto do tribunal e o menor foi condenado a dez anos com pena suspensa. Mas, pelos vistos, a avaliar pelo relato feito xerife texano Dee Anderson às agências, ele não retirou ensinamentos da condenação. O jovem não só fugiu do país, como até “teve uma aparente festa de despedida”, que foi gravada e onde se vê Ethan a beber.

Como se não bastasse, Ethan teve a ajuda da mãe para fugir. Os dois foram encontrados num destino turístico do México e a extradição para os Estados Unidos estava prevista para esta quarta-feira.
   
No regresso a solo norte-americano, Ethan Cough vai ser presente ao tribunal de menores e o Ministério Público pode requerer que no seu processo seja avaliado já como adulto, pelo que o cumprimento de pena efetiva não está excluído. Também a mãe, Tonya Couch, de 48 anos, pode ser julgada e condenada a uma pena entre os dois e os dez anos por ter ajudado um condenado a fugir, segundo a AP. Contactados, os advogados recusaram-se a fazer comentários sobre o presente e futuro do jovem que alegadamente sofre da “doença dos meninos ricos”.
   
 O desaparecimento de Ethan Cough foi descoberto em meados de dezembro, depois dele não se apresentar junto do seu técnico de reinserção social, a 10 de dezembro. Mãe e filho foram intercetados através do telefone de Tonya Cough, usado para encomendar uma pizza.