Beber 200 mililitros de refrigerantes por dia pode aumentar a probabilidade de sofrer uma insuficiência cardíaca, indica um estudo realizado na Suécia. O estudo do Karolinska Institute, citado pelo jornal “Heart”, revela que os homens que bebem duas ou mais latas de refrigerantes têm mais 23% de hipóteses de desenvolver este problema.

A investigação teve como base a análise de 42.499 homens, com idades compreendidas entre os 45 e os 79 anos, ao longo de 12 anos e encontrou 3604 casos de uma clara ligação entre o consumo destas bebidas e o risco de insuficiência cardíaca.

“Os resultados do nosso estudo sugerem que o consumo de bebidas açucaradas pode contribuir para o desenvolvimento de doenças cardíacas. Estas conclusões podem ajudar a desenvolver estratégias de prevenção da doença”, disse um dos investigadores ao jornal “Heart”.


“Estudos anteriores já tinham estabelecido a relação entre o elevado consumo de bebidas açucaradas com vários fatores de risco para a insuficiência cardíaca, incluindo tensão alta, elevado nível de açúcar no sangue, aumento de peso, diabetes e obesidade”, acrescentou a cientista que liderou o estudo, Susanna Larsson, do Instituto Karolinska, em Estocolmo.
 

O estudo não pode provar que bebidas açucaradas causam insuficiência cardíaca. Ainda assim, "a mensagem é que as pessoas que bebem regularmente bebidas açucaradas devem considerar a redução do consumo”, disse ainda Larsson por e-mail à Reuters.

 
Apesar de o estudo ter sido feito em homens, as mulheres também devem ser cuidadosas com o consumo de bebidas açucaradas, acrescenta a investigadora.
 
Mais de 23 milhões de pessoas no mundo têm insuficiência cardíaca, doença que ocorre quando o coração não é forte o suficiente para bombear o sangue e o oxigénio necessários para o bom funcionamento do corpo. A prevalência da doença está a aumentar, pelo menos em parte, devido ao consumo de refrigerantes e outras bebidas açucaradas, alertou Susanna Larsson.
 
No estudo, cerca de metade dos homens negaram beber refrigerantes ou bebidas açucaradas, enquanto pouco mais de um em cada seis disseram que consumiam menos de meio copo por dia. Apenas cerca de um em cada sete homens admitiu ter o hábito de beber duas latas de refrigerante por dia.
 
Homens que bebiam mais refrigerantes e bebidas açucaradas tinham menos formação universitária, eram um pouco mais propensos a beber pelo menos três chávenas de café por dia e, geralmente, consumiam menos legumes.
 
Os autores reconhecem que uma deficiência do estudo é a dependência das pessoas envolvidas para recordar com precisão e relatar os próprios hábitos de consumo. Os cientistas também não dispunham de dados para distinguir entre o açúcar e adoçantes artificiais.
 
"Também é possível que outros fatores não contemplados no estudo, como a atividade física ou os hábitos alimentares, possam ter influenciado se os homens desenvolveram insuficiência cardíaca", escreveram Miguel Martinez-Gonzalez e Miguel Ruiz-Canela, da Universidade de Navarra, em Espanha, num editorial que acompanha o estudo.
 
Mesmo assim, os resultados somam-se a um crescente corpo de evidências que relacionam refrigerantes e outras bebidas açucaradas a doenças cardíacas, escreveram os autores.
 
"Bebidas açucaradas conduzem ao aumento de peso e obesidade, e isso leva a diabetes e insuficiência cardíaca", afirmou Martinez-Gonzalez à Reuters. "A mensagem é: beba água em vez de bebidas açucaradas”, acrescentou.