Afinal a dieta mediterrânica só funciona para quem ganha mais de 39 mil euros por ano, e por isso tem a possibilidade de aceder a alimentos de maior qualidade, se assim entender. 

Se é verdade que este tipo de dieta reduz o risco de doenças cardiovasculares, em cerca de 15%, segundo um estudo do instituto italiano, Neurological Mediterranean Institute (Neuromed), citado pelo The Telegraph, os alimentos ricos em antioxidantes e com menos pesticidas só estão ao alcance das classes mais privilegiadas da sociedade.

A conclusão tem por base um estudo de investigadores italianos que analisaram o impacto desta dieta na redução das doenças cardiovasculares, em 18 mil adultos durante quatro anos. Não foram observados benefícios para os adultos menos favorecidos.

Os benefícios cardiovasculares associados à dieta mediterrânica na população em geral são conhecidos, mas, pela primeira vez, o nosso estudo revelou que a posição socioeconómica traz vantagens", disse a investigadora Marialaura Bonaccio.

A dieta mediterrânica é baseada no consumo de alimentos frescos e naturais como azeite, frutas, legumes, cereais, leite e queijo, sendo necessário evitar produtos industrializados. Os investigadores acreditam que a qualidade dos alimentos é fundamental para se ter benefícios e, à partida, uma pessoa com uma baixa condição socioeconómica estará em desvantagem.

Para o diretor do instituto italiano, Giovanni de Gaetano, é difícil continuar a afirmar que este tipo de dieta é benéfica para todos aqueles que precisam de mudar de alimentação quando, afinal,nem todos têm acesso ao mesmo tipo de produtos: "Durante os últimos anos, documentamos os efeitos da dieta mediterrânica nas populações, mas também pode ser que as pessoas com menos poder socioeconómico tendam a comprar alimentos com menos valor nutricional. Não podemos continuar a afirmar que é boa para a saúde se não garantirmos um acesso aos produtos igual para todos".

Especialistas britânicos vão mais longe e, na sequência do estudo, alertam que a diferença socioeconómica faz com que também existam diferenças na prevenção das doenças cardiovasculares.

"Este estudo confirma um facto conhecido. As pessoas com menos poder socioeconómico têm quase o dobro do risco de doença cardíaca, em comparação com aqueles que tem mais poder económico”, afirma Tim Chico do departamento de infeção, imunidade e doenças cardiovasculares da Universidade de Sheffield.