Um estudo concluiu que existe uma relação entre a evolução da forma das carapaças das tartarugas de Galápagos e a capacidade de se voltarem a pôr de pé depois de caírem. O trabalho desenvolvido por um grupo de cinco investigadores foi publicado, esta quinta-feira, no jornal Nature Communication. Entre os investigadores está Arie van der Meijden, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO), do Porto.

Para estudar a hipótese em causa, foram estudadas 89 tartarugas gigantes do arquipélago de Galápagos, de cinco espécies diferentes - 32 com a carapaça em forma de sela e 57 com a carapaça em forma de abóbada. Todas as experiências com os animais tiveram lugar no jardim zoológico de Roterdão.

[Foto: Rob Dolaard]
[Foto: Rob Dolaard]

O artigo de investigação tentou perceber qual a influência da evolução da morfologia da carapaça na capacidade de se levantar, após cair de costas. Assim, quanto mais lento for o retorno à posição inicial, maior é a probabilidade de morte. Contrariamente ao que os autores pensavam que iria ser o resultado do estudo, chegou-se à conclusão de que as tartarugas com carapaça em forma de sela requerem um maior nível de energia para voltarem a ficar de pé. 

As tartarugas gigantes de Galápagos podem, então, apresentar carapaças com duas morfologias diferentes - em forma de sela ou de abóbada. Estas características têm demonstrado ser adaptativas e evolutivas. O ambiente seco e as superfícies irregulares em que habitam aumentam significativamente o risco de caírem. É importante que voltar à posição de pé aconteça o mais rapidamente possível.

[Foto: Rob Dolaard]

A forma como se levanta depois de cair de costas está dependente da flexibilidade e da forma do corpo do animal. Como o estudo explica, a morfologia nas tartarugas determina a estratégia utilizada para esse fim: em tartarugas com carapaça mais achatada, verifica-se a combinação entre a força exercida pelo pescoço e pelo agitar das patas; no caso das tartarugas com a carapaça mais arredondada, a força é praticamente toda colocada no movimento das patas. Assim, as tartarugas de Galápagos fornecem dados muito importantes acerca da influência da morfologia da carapaça na capacidade de se levantarem e, consequentemente, de sobrevivência. Dependendo da espécie, o tipo de estratégia difere, envolvendo, em maior ou menor grau, a cabeça, o pescoço e as patas.

Os investigadores reconstruíram as carapaças em 3D com o intuito de conseguirem perceber qual a morfologia da carapaça - em forma de sela ou de abóbada - que exige uma maior energia por parte da tartaruga para conseguir voltar a ficar de pé depois de cair.

Após a construção destes modelos, os investigadores procederam ao cálculo do centro de massa, que se define como o ponto no animal que pode ser utilizado como a localização de toda a massa do corpo. Assumindo que a anatomia de qualquer tipo de tartaruga é a mesma, foi utilizado o mesmo centro de massa para tartarugas com a carapaça em forma de sela e em forma de abóbada.

Para se conseguir virar e ficar de novo de pé, a tartaruga tem de dispensar energia que seja superior ao gasto que isso representa. Essa energia pode ser fabricada através do impulso dado pelo pescoço ou pela movimentação dos membros e da cabeça. A pressão gradual que é feita no sentido de melhorar esta capacidade pode ter levado a uma evolução morfológica.

O estudo concluiu, então, que as duas diferentes carapaças requerem também diferentes energias quando a tartaruga cai e se levanta de seguida. Este facto pode estar relacionado com a evolução da morfologia destes gigantes de Galápagos.