Demasiadas pessoas foram retiradas de suas casas nos desastres nucleares de Fukushima e Chernobyl, sugere-se num novo estudo, em que se defende que quanto menos evacuações num cenário daqueles, melhor.

O estudo, em que estiveram envolvidas as universidades de Bristol, Londres, Warwick e a Universidade Aberta britânica, foi publicado esta segunda-feira num boletim do Instituto de Engenheiros Químicos.

Os investigadores concluíram que é difícil justificar a retirada de 111.000 pessoas de suas casas por causa do acidente da central nuclear japonesa de Fukushima, 85.000 das quais ainda não regressaram, apesar de terem passado quatro anos e meio.

A equipa liderada por Philip Thomas, da Universidade de Bristol, usou uma fórmula chamada J-Value, em que se avalia a estimativa de redução de esperança de vida em cenários de catástrofe.

No acidente da central soviética de Chernobyl, em 1986, esta fórmula determinava que as pessoas a serem evacuadas seriam as que perderiam cerca nove meses ou mais de esperança de vida pela exposição à radiação.

Pelos cálculos dos cientistas, por este critério só 31 mil pessoas deviam ter sido retiradas de casa em 1986, mas o número ascendeu a 116 mil pessoas e 220 mil numa segunda vaga de evacuações em 1990.

Os cientistas britânicos estimam que as 900 pessoas com maior risco de exposição à radiação da segunda vaga teriam perdido só três meses de vida se tivessem ficado onde estavam.

"As evacuações em massa são caras e perturbadoras. Mas correm o risco de se tornarem a política principal após um acidente nuclear. Não deviam sê-lo. Os decisores deviam concentrar-se em remediar, não em evacuar", declarou.