Um pequeno grupo de manifestantes tentou invadir, esta noite, o Palácio Nacional da Cidade do México, durante um protesto relacionado com o aparente massacre dos 43 estudantes, desaparecidos há mais de um mês.

Os manifestantes atiraram barricadas de metal contra a porta, mas não conseguiram entrar no palácio, que é sobretudo utilizado pelo presidente mexicano, Enrique Pena Nieto, para cerimónias.

Colegas dos 43 estudantes desaparecidos desde o final de setembro atacaram, também esta noite, o palácio do Governo do estado de Guerrero, depois de as autoridades anunciarem, com base em confissões de suspeitos, que os jovens foram assassinados.

Mais de 300 estudantes, muitos dos quais usando máscaras, acompanhados por colegas de outras escolas, chegaram em vários autocarros ao Palácio do Governo governamental em Chilpancingo, capital do estado de Guerrero, por volta das 17:30 (00:30 em Lisboa), começando a atirar pedras e cocktails molotov contra as janelas e queimando uma dezena de viaturas, incluindo camiões estacionados no complexo.

Muitos ecoaram «eles levaram-nos vivos, queremo-los de volta vivos» no exterior do prédio, parcialmente incendiado, no mês passado, num protesto contra a forma como decorria a investigação do caso.

«Estamos a pedir a mesma coisa, como de costume. Queremos os nossos colegas vivos», disse um estudante à agência noticiosa AFP.

Pouco depois, e sem que houvesse intervenção policial, abandonaram o local.

Na Cidade do México, milhares de pessoas protagonizaram uma marcha nas ruas da capital no mais recente protesto sobre um caso que desencadeou uma onda de indignação no México e a maior crise da administração do presidente Enrique Pena Nieto.

Os estudantes foram atacados por polícias municipais, na noite de 26 de setembro, a tiro, por ordens do então autarca de Iguala, José Luis Abarca, e da sua esposa, María de los Ángeles Pineda, ambos já detidos, suspeitos de colaborarem com os Guerreros Unidos.

Nessa noite morreram seis pessoas, 25 outras ficaram feridas e 43 alunos da Escola Normal Rural, de formação de professores primários, foram detidos por polícias e entregues ao cartel.

O procurador-geral do México disse, esta sexta-feira, que os Guerreros Unidos os assassinaram e queimaram os cadáveres para não deixar rasto, segundo o testemunho de três suspeitos que participaram no crime.

Os restos carbonizados dos cadáveres foram depositados em sacos de plástico e depois lançados a uma ribeira próxima.

Parte das cinzas foram encontradas e vão ser analisadas num laboratório da Áustria, na esperança de que possam ser identificadas.

Os familiares dos jovens afirmaram não confiar na informação facultada pelas autoridades até que haja provas concretas, anunciando que pretendem lutar até ao fim para que seja conhecida a verdade.