O número de imigrantes ilegais resgatados de embarcações que atravessam o Estreito de Gibraltar não para de aumentar. Provenientes de países africanos, os imigrantes são levados para Tarifa, em Cádiz, Espanha, mas as autoridades espanholas temem não conseguir dar a assistência necessária se o fenómeno continuar.

Até às três da tarde desta terça-feira tinham sido localizadas 70 embarcações com um total de 681 imigrantes, segundo as autoridades marítimas. Tratam-se de 573 homens, 88 mulheres e 20 crianças.

Os imigrantes foram transportados para o polidesportivo municipal para serem examinados pela equipa de voluntários da Cruz Vermelha, uma vez que o centro de internamento para imigrantes, na ilha de Las Palomas, já se encontra no limite da sua lotação. Nas últimas 72 horas deram entrada neste centro cerca de 500 imigrantes ilegais provenientes de países da África Subsariana.

«Os imigrantes encontram-se bem de saúde, apresentando apenas alguns sintomas leves de hipotermia e tonturas, fruto da travessia», afirmou uma fonte da Cruz Vermelha ao «El País».

Apenas uma pessoa teve que ser assistida no próprio porto de Tarifa por apresentar uma hipotermia mais grave e ferimentos no ombro.

«Alguns imigrantes apresentavam queimaduras e ferimentos, produzidas pela reação do combustível com o plástico das embarcações e com a água», explicaram as mesmas fontes.

Com as boas condições meteorológicas - temperaturas que rondam os 20ºC de madrugada e ventos suaves - os imigrantes preferem a travessia pelo mar, evitando a passagem pela fronteira e, pela polícia, em Marrocos.

Só esta segunda-feira, foram resgatadas 299 pessoas. Em agosto do ano passado foram intercetados 348 imigrantes.



Até agora e, desde o início do ano, cerca de 1000 imigrantes ilegais chegaram à costa espanhola. Números que se revelam dramáticos e que já ultrapassam os valores registados o ano passado, no mesmo período.