O presidente norte-americano proferiu uma declaração, sem direito a perguntas, esta segunda-feira, na qual condenou os organizadores e manifestantes que estiveram sábado na cidade de Charlottesville, no estado da Virginia, num protesto contra a futura demolição da estátua de Robert E. Lee, um general sulista da Guerra da Secessão norte-americana e defensor da escravatura. Os incidentes registados provocaram um morto e 19 feridos, devido a uma situação deliberada de atropelamento.

O racismo é mau e os que causam violência em seu nome são criminosos e bandidos, incluindo o Ku Klux Klan, neo-nazis, defensores da supremacia branca e outros grupos movidos pelo ódio que são repugnantes para aquilo que temos como querido enquanto americanos", sublinhou Donald Trump.

Numa referência implícita ao indivíduo detido por ter conduzido um carro contra uma  multidão de contra-manifestantes, matando uma pessoa, Trump frisou que "a justiça será feita", acrescentanque que, "como disse no sábado, condenamos toda a violência".

Como disse muitas vezes no passado, não importa a cor da pele, vivemos no mesmo país e sob a mesma bandeira", afirmou Trump.

Somos uma nação fundada na verdade e na igualdade. Somos iguais sob Deus, perante a lei e perante a constituição", acrescentou.

Críticas a Trump

A comunicação feita pelo presidente norte-americano no passado sábado, após os confrontos em Charlottesville, que provocaram a morte de uma mulher e vários feridos, foi entendida como pouco convincente, quer pela oposição democrata, quer pelos republicanos.

Esta segunda-feira, segundo relata a agência noticiosa Reuters, os acontecimentos de Charlottesville foram avaliados pelo presidente e por assessores jurídicos da Casa Branca. Jeff Sessions, o procurador-geral, que detém funções similares às de um ministro da Justiça e como quem Trump tem andado de "candeias às avessas", adiantou de manhã que esperava que o presidente voltasse a abordar publicamente o assunto nesta segunda-feira, o que veio a ocorrer.

Demissão cirúrgica

Antes da declaração de Donald Trump condenando de forma clara os acontecimentos de Charlottesville, o presidente foi confrontado com a demissão de Kenneth Frazier, diretor-geral da farmacêutica Merck Pharma, que abandonou um conselho consultivo presidencial sobre a indústria dos medicamentos.

Os líderes dos Estados Unidos devem honrar os nossos valores fundamentais, rejeitando claramente expressões de ódio, fanatismo e supremacia de grupo", registou Frazier, que é negro, no Twitter da farmacêutica, na hora de deixar o conselho consultivo na Casa Branca, no que foi entendido como uma referência aos acontecimentos de Charlottesville.

Em resposta, no momento, Donald Trump não terá acusado o toque. Respondeu também via Twitter, dizendo que a saída de Frazier deixaria mais tempo ao patrão da Merck para baixar o preço dos medicamentos.