Enquanto decorre uma reunião de emergência da Organização pela Proibição de Armas Químicas (OPAQ), na manhã de segunda-feira, em Haia, na Holanda, a União Europeia apelou à comunidade internacional, em especial Rússia e Irão, para que seja posto um ponto final ao uso dessas substâncias proibidas na Síria.

A União Europeia apela a todos os países, nomeadamente à Rússia e ao Irão, para usarem a sua influência de forma a evitar qualquer uso posterior de armas químicas, nomeadamente pelo regime sírio", escreve a agência noticiosa Reuters, citando uma posição expressa pela comunidade europeia, tendo em conta a reunião da OPAQ.

No Luxemburgo, os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia decidiram não alinhar, de imediato, na imposição de novas sanções económicas contra a Rússia, uma ameaça que deverá ser concretizada pelos Estados Unidos, a fiar na sua embaixadora das Nações Unidas, Nikki Haley.

Temos que continuar a pressionar para conseguir um cessar-fogo e ajuda humanitária através do Conselho de Segurança das Nações Unidas e, eventualmente, um processo de paz", assumiu no Luxemburgo, o ministro holandês dos Negócios Estrangeiros, Stef Blok.

No terreno, os inspetores da OPAQ continuam sem aceder à cidade de Douma, cidade antes controlada por fações rebeldes ao governo sírio, onde alegadamente terá ocorrido um ataque químico contra a população.

A Rússia justificou já o adiamento da deslocação dos inspetores, que já estão na capital síria, Damasco, devido aos ataques aéreos levados a cabo na madrugada de sábado pela tripla aliança entre Estados Unidos, Reino Unido e França, além da necessidade de um mandato por parte das Nações Unidas.

O atraso na chegada a Douma dos inspetores levou já a críticas por parte dos delegados norte-americano e britânico junto da OPAQ e a um comentário a desvalorizar a situação, por parte do vice-ministro russo das Relações Exteriores.

Essa é a mais recente conjetura dos nosso colegas britânicos", afirmou Sergei Ryabkov, citado pela agência noticiosa russa, RIA.

Em Haia, o conselho executivo da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) reuniu-se na manhã de segunda-feira, juntando 41 dos 192 membros da organização.

Segundo relata a agência noticiosa francesa AFP, o vice-ministro das Relações Exteriores da Síria, Fayçal Mokdad, visitou o hotel em Damasco onde a missão da OPAQ está alojada e ainda permanece, impossibilitada para já de seguir para Douma.

Vamos deixar a equipa fazer seu trabalho profissional, de forma objetiva, imparcial e sem qualquer pressão. Os resultados da investigação invalidarão as falsas alegações" contra Damasco, assegurou o ministro sírio.

Resolução em estudo

Enquanto os inspetores da OPAQ esperam para poder chegar à cidade de Douma, o fim de semana ficou marcado por protestos um pouco por todo o mundo contra os bombardeamentos levados a cabo por norte-americanos, britânicos e franceses, segundo estes aliados, contra instalações sírias dedicadas à produção e armazenamento de químicos.

A nível diplomático, continua em cima da mesa nas Nações Unidas, uma proposta de resolução sobre a Síria, apresentada pelos três aliados que bombardearam o país no passado.

Ainda temos que estudá-la. Acabou de ser introduzida. Não a rejeitamos imediatamente, precisamos de ver", foi a reação de Pyotr Ilichev, um diplomata russo, ouvido pela agência de informação Interfax.

Apesar da contemporização sobre a proposta, a Rússia ameaça com uma resposta mais enérgica, caso a Síria volte a ser bombardeada.

Segundo a agência russa TASS, o chefe da diplomacia de Moscovo fez saber que assume não haver intenção por parte dos Estados Unidos de levar a cabo mais ataques contra a Síria.

Os ataques levados a cabo na madrugada de sábado também não são unanimemente aprovados nos países que os levaram a cabo. Nos Estados Unidos, manifestantes mostraram o seu desagrado contra Donald Trump, a braços com as investigações sobre o alegado envolvimento e apoio russo na sua eleição, as acusações de um relacionamento sexual com a atriz porno Stormy Daniels e ainda um novo livro do antigo e despedido diertor do FBI, James Comey, que será publicado na terça-feira.

Já no Reino Unido, um porta-voz do governo assume que a primeira-ministra britânica Theresa May quer dar agora tempo ao parlamento para escrutinar a participação britânica nos ataques aéreos de sábado, após críticas por não ter ouvido antecipadamente os deputados.

A primeira-ministra assumiu claramente no fim de semana as suas razões para tomar a ação que fizemos na Síria. Hoje, irá fazer uma declaração no parlamento, permitindo que seja debatida a sua decisão", afirmou um porta-voz do governo britânico.