O presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, fez estalar uma nova polémica ao chamar ao Montenegro um "país muito pequeno" cujos habitantes são "muito agressivos" e por parecer questionar o princípio da defesa mútua dentro da NATO.

Se, por exemplo, o Montenegro for atacado, por que razão o meu filho deveria ir para Montenegro para os defender", perguntou um jornalista do canal norte-americano Fox News numa entrevista transmitida na terça-feira à noite.

"Eu entendo o que diz, eu fiz a mesma pergunta", disse o presidente dos Estados Unidos, considerando que o "Montenegro é um país muito pequeno, com pessoas muito fortes, muito agressivas".

Trump chegou a sugerir que essa agressão poderia desencadear "a terceira guerra mundial" se os outros membros da Aliança Atlântica tivessem de vir defendê-lo.

Estas declarações levaram polémica até no campo republicano. Trump foi eleito presidente pelo Partido Repúblicano, em 2016.

"Atacando Montenegro e questionando as nossas obrigações dentro da NATO, o presidente faz exatamente o jogo de Putin", lamentou o senador republicano John McCain no Twitter.

McCain destacou o Montenegro por ter “corajosamente” resistido à pressão da Rússia de Putin e se ter transformado numa democracia e lembrou que o Senado votou por 97 contra dois o apoio à entrada na NATO.

As relações de Washington com os aliados da NATO foram severamente testadas na cimeira da NATO em Bruxelas, que foi extremamente tensa.

O presidente dos EUA é regularmente suspeito de querer contestar o Artigo 5.º da Carta da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN na sigla em português ou NATO em inglês), sua pedra angular, que afirma que qualquer ataque a um país-membro é considerado um ataque contra todos.

O diplomata Nicholas Burns, que era embaixador americano na NATO aquando do 11 de setembro de 2001, disse que Trump está a lançar dúvidas sobre se os EUA iriam em socorro aos aliados, o que considerou “um outro presente para Putin”.

Eu gosto de dizer que Trump é previsível, mas nunca imaginei que ele pudesse apresentar Montenegro como uma grande ameaça à paz no mundo", ironizou, por seu lado, o especialista nestes temas Thomas Wright.