Nikolas Cruz foi o autor do massacre numa escola da Florida, que ditou a morte de 17 pessoas, e entrevista ao South Florida Sun Sentinel, o casal que o acolheu, quando a mãe adotiva morreu, em novembro do ano passado, falou sobre ele.

Tínhamos um monstro debaixo do nosso teto e não sabíamos. Não víamos isso nele", disse Kimberly Snead, a mulher que o acolheu.

Kimberly e James acolheram Nikolas em casa em novembro, após a sua mãe adotiva (tinha perdido os pais em criança) ter morrido devido a uma pneumonia. O filho do casal era amigo de Nikolas e pediu aos pais para o deixarem ir lá para casa, já que este não tinha para onde ir. 

Disse-lhe que havia regras rígidas em casa e ele cumpriu-as", disse Kimberly, que revelou ainda que Nikolas estava bastante "deprimido" com a morte da mãe.

James tem 48 anos e é um veterano do exército e analista em inteligência militar. Kimberly é enfermeira, mas tal como James cresceu em casa com armas e não vê problema nisso, já que insistiram na segurança das mesmas. Na casa havia muitas, mas guardadas e Cruz tinha uma no seu quarto, mas num cofre trancado à chave.

James pensava que apenas ele tinha a chave, mas pensa que Nikolas Cruz deve ter ficado com uma cópia para ele.

O casal revela que o dia anterior ao do massacre foi normal, igual a todos: "Ele comeu um biscoito de chocolate e uma sande com um bife e queijo, como era hábito."

O massacre foi no dia 14 de fevereiro, dia dos Namorados, dia em que Nikolas disse não querer ir à escola: "«É o Dia dos Namorados e eu não vou à escola no Dia dos Namorados», disse ele. Ele queria muito ter uma namorada, era muito solitário."

Não foi, disse que ia à pesca e a casa de um amigo, com o qual se chateou. A caminho do assalto mandou uma mensagem ao filho do casal a perguntar em que sala da escola estava. Nesta altura estava a caminho da escola, onde seria o protagonista do tiroteio.

Pouco tempo depois, o filho do casal ligou ao pai a dizer para o ir buscar à escola porque ouviu uns tiros na escola e tinha conseguido fugir. A polícia entrou em contacto com James a perguntar por Nikolas, mas este não sabia dele, e disse que a última vez que o tinha visto tinha sido com Kimberley em casa.

De imediato ligou para casa e Kimberley não atendeu. Estava a dormir porque fazia turno nessa noite.

James ficou preocupado e pediu que a polícia fosse lá a casa, temendo o pior. A polícia foi, acordou Kimberley e vasculhou as coisas de Nikolas, já que nessa altura já tinha o rapaz detido.

Entretanto, James e o filho chegaram a casa e o comandante explicou-lhes o sucedido e falou com o filho, para investigar se estava envolvido. Rapidamente perceberam que não e levaram o casal para a esquadra.

Foi lá que falaram a última vez com ele. "Ele disse que estava arrependido. Desculpou-se. Parecia perdido, absolutamente perdido", disse James.