Um acordo, mais ou menos de cavalheiros, dá conta de que o chefe de gabinete da Casa Branca, o general John F. Kelly, chegou a acordo com o chefe de estratégia para a saída deste da administração norte-americana, sem contudo desvanecer a ideia de que Steve Bannon foi mais um elemento afastado pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

Esta sexta-feira será o último dia de Steve Bannon no cargo, que ocupou em novembro, após a posse de Donald Trump como presidente, numa nomeação polémica e criticada por democratas e até republicanos, que o consideravam um extremista de direita, racista e com  aversão à presença de mulheres.

Primeiro, através do jornal New York Times, depois através da agência noticiosa Reuters, pessoas próximas de Bannon confidenciaram que o chefe de estratégia foi mesmo despedido por Trump. Isto depois de já ter sido afastado, em abril, do Conselho Nacional de Segurança.

O rastilho de Charllottesville

O despedimento de Steve Bannon surge após as controversas e sucessivas posições de Donald Trump sobre os acontecimentos em Charlottesville, no estado de Virginia, onde se confrontaram manifestantes de extrema-direita e contramanfiestantes.

Na origem desses confrontos esteve o protesto, no passado fim de semana, de setores radicais da direita contra a demolição de uma estátua de um general sulista da guerra civil norte-americana, no século XIX.

Num primeiro momento, o presidente condenou os acontecimentos que provocaram a morte de uma contramanifestante, sem culpabilizar os manifestantes de extrema-direita. Só o fez expressamente na passada terça-feira, para voltar a culpabilizar ambos os lados dois dias depois.

O ziguezague do presidente custou-lhe a demissão de vários executivos de grandes empresas norte-americanas dos conselhos empresarias que Trump criara e que acabou por extinguir. E também lhe valeu críticas da oposição democrata e de políticos moderados entre os republicanos.

Vamos ver o que acontece com o senhor Bannon", foi a resposta do presidente aos jornalistas, na passada quinta-feira, na Trump Tower, em Nova Iorque, quando questionado sobre o futuro e a sempre polémica presença do seu chefe de estratégia e arquiteto da campanha que o levou à Casa Branca.

A decisão é agora conhecida: Bannon acaba despedido. Como outro já o foram, nos poucos meses de mandato que Trump leva à frente dos Estados Unidos.

Mais um de saída

Steve Bannon foi desde a primeira hora uma das mais polémicas escolhas de Donald Trump. Tem 63 anos, é um ex-oficial da Marinha dos Estados Unidos, foi banqueiro no Goldman Sachs e até produtor de filmes em Hollywood. Politicamente, fez a campanha do presidente e é um defensor do nacionalismo económico. Além de tudo isso, foi sempre acusado de racista e misógino.

A demissão de Bannon é assim mais uma que a Casa Branca conhece desde que Trump assumiu o poder. Em fevereiro, foi Michael Flynn que se demitiu do cargo de conselheiro de Segurança Nacional.

Entre os casos mais recentes, a 28 de julho, Trump substituiu o seu chefe de gabinete Reince Priebus pelo general reformado, John Kelly. Ainda continua em funções.

Dias após esta mexida, foi a vez de afastar o porta-voz Sean Spicer e substiuí-lo por Anthony Scaramucci, que mal aqueceu o lugar: dez dias depois foi posto a andar.