O ativista angolano Rafael Marques denunciou esta segunda-feira em Washington, junto do Departamento de Estado norte-americano, a situação em que se encontram os 17 ativistas recentemente condenados em Luanda.

Rafael Marques reuniu-se esta segunda-feira na capital dos Estados Unidos com Steve Feldstein, subsecretário de Estado adjunto para os Direitos Humanos, e com Todd Haskell, subsecretário de Estado adjunto para os Assuntos Africanos.

Segundo o autor do livro "Diamantes de Sangue", a reunião deveu-se à "preocupação" que o governo dos Estados Unidos tem manifestado em relação à situação dos direitos humanos em Angola tendo sido, por isso, "abordado de forma extensa o caso dos 17 ativistas" recentemente condenados em Luanda a penas de prisão.

O tribunal de Luanda condenou, no dia 28 de março, a penas entre dois anos e três meses e oito anos e seis meses de prisão efetiva os 17 ativistas angolanos que estavam desde 16 de novembro de 2015 a ser julgados por coautoria de atos preparatórios para uma rebelião e associação criminosa.

Os dois subsecretários de Estado exprimiram a sua preocupação com o que está a acontecer e ouviram-me como uma voz independente. Falamos também do caso do Marcos Mavungo e Arão Tempo, de Cabinda, e que estão neste momento também numa situação delicada, que deve ir a julgamento em breve", acrescentou o também jornalista angolano.

Rafael Marques disse à Lusa que destacou durante a reunião "sobretudo" a situação dos ativistas Nito Alves e Nuno Dala, que estão em greve de fome.

A administração norte-americana mostrou também grande preocupação sobre o que está a acontecer com estes jovens (Nito Alves e Nuno Dala). Tive a oportunidade de explicar que não têm recebido a atenção médica requerida nas condições de prisão, que são desumanas", afirmou Rafael Marques.

Durante o encontro no Departamento de Estado norte-americano, o jornalista angolano disse que se referiu também à forma como o poder judicial angolano "tem sido usado para perseguir ativistas".

Na sexta-feira passada, os Estados Unidos consideraram que as "duras" condenações aplicadas aos ativistas angolanos são uma ameaça à liberdade de expressão e apelaram ao Governo de Luanda pela defesa dos direitos constitucionais dos cidadãos.

Os Estados Unidos consideram que as duras sentenças aplicadas pelo tribunal angolano contra os ativistas (15+2) ameaçam o exercício das liberdades de expressão e de reunião pacífica", referia o comunicado de imprensa do Departamento de Estado da administração norte-americana divulgado no final da semana passada.

Além do encontro mantido esta segunda-feira com os responsáveis do Departamento de Estado, Rafael Marques reuniu-se também com congressistas norte-americanos e tem encontros agendados no Senado dos Estados Unidos, na terça-feira.

Tudo faremos para que os nossos compatriotas sejam libertados e aqueles que realmente constituem uma 'associação de malfeitores' em Angola, que são aqueles que estão a roubar o país, que estão a desgraçar os angolanos, que estão a espoliar e a matar a dignidade dos angolanos, que sejam esses indivíduos, em última instância, a serem julgados e não aqueles que procuram de forma pacífica fazer ouvir as suas vozes e o bem-comum", concluiu Rafael Marques.