“Ridículas.” É assim que Moscovo olha para as acusações, feitas pelos Estados Unidos, de que a Rússia estaria a interferir nas presidenciais norte-americanas. Numa entrevista à jornalista da CNN Christiane Amanpour, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, afirmou que as acusações, que estão a pôr ainda mais em brasa as tensões entre os dois países, são infundadas.

O ministro russo usou da ironia: considerou um elogio que oficiais norte-americanos admitam a possibilidade de os russos poderem interferir nas eleições. O governante ressalvou, porém, que se trata de uma ideia sem sentido, que não é apoiada por qualquer facto nem por qualquer tipo de prova.

“É lisonjeador, claro, ter este tipo de atenção – para um poder regional, como o Presidente Obama nos chamou há algum tempo. Agora toda a gente nos Estados Unidos diz que é a Rússia que está a comandar o debate destas presidenciais. Não vimos um único facto, uma única prova.”

Na sexta-feira, e pela primeira vez, os Estados Unidos acusaram a Rússia de se estar a intrometer na corrida à Casa Branca. As acusações partiram do Departamento de Segurança Nacional e do Diretor dos Serviços Secretos, que divulgaram um comunicado conjunto. Washington acredita que os russos estão por detrás de ações de pirataria informática que levaram à divulgação de emails relacionados com as eleições.  

“Acreditamos que só oficiais séniores russos poderão ter autorizado este tipo de atividades”, sublinha o comunicado.

O comunicado veio azedar ainda mais a relação entre os dois países, que não se entendem no que toca à guerra na Síria.

No início do mês, a Casa Branca anunciou a interrupção das negociações com a Rússia sobre um cessar-fogo na Síria. Uma notícia que surgiu depois do fim da trégua consagrada no acordo russo-norte-americano de 9 de setembro. Washington defendeu esta decisão com a acusação de que Moscovo está a tentar bombardear civis “até à submissão”.