A Polónia anunciou esta sexta-feira que não vai extraditar o realizador Roman Polanski, negando o pedido dos Estados Unidos, que queria que Polanski respondesse pelo crime de abusos sexuais a menores naquele país.

Segundo o juiz polaco que se pronunciou sobre o caso, a “extradição de Roman Polanski é inadmissível”, de acordo com a citação feita pelo jornal The Guardian. Desta decisão ainda é, no entanto, possível o recurso.

Roman Polanski foi condenado, nos Estados Unidos, por ter tido relações sexuais com uma menor de 13 anos, em Los Angeles, em 1977. O realizador confessou o crime, mas sustentou que estava sob efeito de drogas e álcool.

Polanski esteve preso apenas 42 dias pelo crime. Com dupla nacionalidade, francesa e polaca, o realizador, vivendo em França, está salvaguardado pela lei, que proíbe a extradição dos seus nacionais.

Já a lei polaca não é perentória, pelo que o requerimento da justiça americana tem estado em apreciação. O homem que sobreviveu à Segunda Grande Guerra e que viu a mãe morrer em Auschwitz, pode não ganhar esta batalha. Um juiz deu-lhe agora razão, mas o partido vencedor das recentes eleições legislativas naquele país são da opinião de que o realizador deve ser extraditado para os Estados Unidos, como recorda a BBC.

Roman Polanski foi preso em Zurique, em 2010. A polícia suíça cumpriu um mandado de detenção internacional emitido pelos Estados Unidos. Todavia, depois de viver em prisão domiciliária durante nove meses, a justiça suíça negou a sua extradição e libertou o cidadão franco-polaco.

Apesar do “não” suíço, os Estados Unidos não desistiram. O crime, cometido há quase 40 anos, continua a perseguir o realizador “oscarizado” pelo filme “O Pianista”. Roman Polanski, atualmente com 82 anos, encontra-se na Polónia a realizar um filme.