O presidente dos Estados Unidos deverá vetar a lei de Orçamento das Forças Armadas que exige a elaboração de um relatório sobre a Base das Lajes e que foi aprovado pela Câmara dos Representantes e pelo Senado.

"Obama ainda garante que vai vetar o NDAA [o nome do orçamento na sigla em inglês]. Ele já disse que ia vetar o NDAA em anos passados e nunca o fez, mas agora é amplamente esperado que o faça", disse esta terça-feira uma fonte da Câmara dos Representantes à agência Lusa.

O presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner, vai assinar esta terça-feira o orçamento e enviá-lo para Barack Obama, que terá 10 dias para o aprovar ou vetar.

Apesar de o documento ter sido aprovado pela Câmara dos Representantes e pelo Senado no início do mês com os votos de vários democratas, depois de nove meses de negociações, Obama tem fortes resistências ao orçamento.

A disputa reside não no valor total envolvido, 612 mil milhões de dólares (cerca de 540 mil milhões de euros), mas na forma como esse dinheiro esta distribuído.

Primeiro, o orçamento proíbe que quaisquer fundos sejam usados para transferir prisioneiros da prisão de Guantanamo até ao final do próximo ano.

No limite, isto significaria que Obama falharia uma das suas grandes promessas eleitorais em 2008: o fecho desta prisão que acolheu suspeitos de terrorismo após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Depois, Obama não está de acordo com uma parte do orçamento que contorna alguns limites estabelecidos por lei, atribuindo mais 38 mil milhões de dólares (34 mil milhões de euros) ao Pentágono para operações militares fora dos Estados Unidos.

Entretanto, cerca de 38 grupos e organizações ligados às forças armadas escreveram ao presidente oferecendo o seu apoio ao veto.

Este orçamento exige também que o departamento da Defesa produza até 1 de março de 2016 um relatório sobre as valências da base das Lajes, incluindo sobre a sua capacidade de receber um centro de informações.

"Nenhum montante deve ser utilizado na construção do Centro de Análise Conjunta de Informações, na Base Aérea de Croughton, no Reino Unido, conforme secção 2301(b), até a Secretaria de Defesa certificar os comités de defesa da Câmara que determinou, com base numa análise dos requisitos operacionais, que esta localização permanece a localização ótima", lê-se no orçamento.

O documento diz ainda que o relatório deve incluir uma explicação para os fundamentos da decisão, bem como uma avaliação das capacidades das Lajes para acolher treinos de pilotos de caça e a presença rotativa de forças navais.

A Câmara dos Representantes está a investigar a manipulação de estudos que justificam a construção deste centro de informações em Inglaterra.

Em junho, a Lusa noticiou uma série de iniciativas legislativas da Câmara dos Representantes que suspendem a construção deste complexo no Reino Unido até ser provado que a Base das Lajes não pode cumprir essa função.

O novo complexo está planeado para a base de Croughton, em Inglaterra, e ao reunir várias agências e organismos dos serviços de informações será o maior deste género fora do território norte-americano.

A sua construção está orçamentada em 317 milhões de dólares (cerca de 281 milhões de euros).