Com meias palavras, para já, Rex Tillerson assumiu durante uma audição no Senado norte-americano que o acordo sobre o programa nuclear iraniano, alcançado em 2015, pode vir a ser desmantelado.

Uma revisão geral", foram as palavras usadas pelo secretário de Estado escolhido pelo próximo presidente norte-americano.

Donald Trump nunca escondeu o seu desagrado com o entendimento alcançado entre o Irão e os cinco países membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha.

Em março, ainda em pré-campanha eleitoral, Trump afirmou sem rodeios que revogar esse acordo com o Irão seria um dos pilares da sua política externa.

A minha prioridade número um é desmantelar o acordo desastroso com o Irão", disse o então candidato republicano numa conferência do lóbi americano pró-Israel, em Washington.

Acordo difícil

Ano e meio de negociações, com sanções em curso, tiveram como resultado o entendimento entre os sete países envolvidos sobre o programa nuclear do Irão.

Um triunfo da diplomacia", foi como o próprio presidente iraniano, Hassan Rouhani, qualificou o acordo conseguido, desejando que pudesse ser um primeiro passo para o desanuviamento das relações entre o seu país e as maiores potencias mundiais.

O acordo alcançado, com forte empenhamento e aplauso do então e ainda presidente Barack Obama, prevê que inspetores internacionais acedam a locais no Irão, onde haja produção nuclear. De forma a tirar a limpo, que o país não está a fabricar armamento.

Algumas sanções ao Irão foram levatadas, mas outras mantiveram-se, nomeadamente as que respeitam à venda de armamento ao regime de Teerão.

Descontente, e muito, com o entendimento alcançado ficou então o Estado de Israel, com a ministra dos Negócios Estrangeiros, Tzipi Hotovely, a considerar então que o acordo constituía "uma cedência história ao eixo do mal liderado pelo Irão”.

Do lado dos críticos esteve também Donald Trump. Era então apenas um pretendente e mais tarde um candidato à Casa Branca. Agora que será o seu próximo inquilino, as primeiras palavras do homem que escolheu para chefe da diplomacia deixam antever que o acordo com o Irão pode, no mínimo, vir a ser revisto.