Diplomatas norte-americanos e canadianos receberam tratamento médico por causa de sintomas de mal-estar e perda de audição. As autoridades dos Estados Unidos acreditam que foram vítimas de um “ataque sónico”.

A agência de notícias Associated Press noticiou, na quinta-feira, que tudo começou no outuno do ano passado, quando um grupo de cinco diplomatas norte-americanos em Havana apresentou perda súbita de audição. Alguns tiveram sintomas tão graves que tiveram que regressar aos Estados Unidos.

Após meses de investigação, as autoridades norte-americanas concluíram que os diplomatas tinham sido atacados com dispositivos sónicos, que teriam sido colocados no interior ou no exterior das suas residências. No entanto, não ficou imediatamente claro se o dispositivo era uma arma usada deliberadamente ou se teria qualquer outra função.

Como retaliação, em maio, o governo norte-americano expulsou dois diplomatas cubanos.

A decisão foi criticada por Havana e classificada como “decisão injustificada e infundada”, através de um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Cuba. No mesmo documento, é dito que as autoridades cubanas tinham sido informadas do incidente com os diplomatas, em fevereiro de 2016, e tinham começado uma “rigorosa e urgente investigação”.

Cuba jamais permitiu ou vai permitir que o seu território seja usado para qualquer ação contra diplomatas e as suas famílias, sem exceções”, podia ler-se no comunicado, de acordo com a BBC.

O governo cubano anunciou ainda ter reforçado a segurança nas embaixadas dos Estados Unidos em Havana e nas residências dos diplomatas.

Em declarações à Associated Press, uma fonte da equipa norte-americana responsável pela investigação do caso revelou que está a ser analisada a possibilidade de outro país estar por detrás do ataque, atuando à revelia do regime cubano.

Também o Canadá anunciou que está a investigar “pelo menos um caso” de um diplomata tratado por perda de audição e dores de cabeça.

Estamos a par de sintomas incomuns que afetam diplomatas canadianos e americanos e as suas famílias, em Havana”, disse à BBC um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Canadá.

As relações entre Cuba e os Estados Unidos deterioraram-se depois da chegada de Donald Trump à Casa Branca. O presidente americano prometeu fazer recuar a aproximação bilateral histórica, iniciada em 2014 por Barack Obama.