Uma adolescente norte-americana foi acusada de homicídio involuntário pelo tribunal de Massachusetts, nos Estados Unidos na sexta-feira, por ter incentivado o namorado a pôr termo à vida através de mensagens enviadas por telemóvel.

O rapaz foi encontrado morto num parque de estacionamento, a 13 de julho de 2014. Michelle Carter tinha 17 anos e Conrad Roy III, que sofria de depressão, tinha 18.

Alegadamente, a jovem terá enviado mensagens para o telemóvel de Conrad onde o questionava por que demorava tanto tempo para se matar. No momento em que o rapaz cometia suicídio, por inalação de monóxido de carbono, Michelle terá ainda pedido para continuar quando Conrad saiu do automóvel e lhe disse que estava com medo.

“Quando é que o vais fazer?”

“Se não o fizeres hoje, és um infeliz”

“Tens de o fazer... Esta é a noite, é agora ou nunca”

Estas foram algumas das mensagens enviadas por Michelle Carter a Conrad Roy III ouvidas em tribunal. O jornal Independent escreve que a jovem garantiu ainda que os pais de Roy estavam preparados para o seu desaparecimento.

A 13 de julho de 2014, o jovem terá hesitado sobre o suicídio, mas a namorada “deu-lhe” segurança e disse-lhe que ele se sentiria “livre e feliz” se se matasse e que isso deveria acontecer o quanto antes.

Nessa noite, o jovem de 18 anos estacionou a carrinha num parque de uma superfície comercial e pôs termo à vida por inalação de monóxido de carbono. Por volta das 19:00, ainda terá falado com Michelle ao telemóvel, numa chamada que durou cerca de 47 minutos. Terá sido durante esse tempo que Conrad saiu do veículo, porque se sentia asfixiar, e Michelle incentivou-o a voltar.

Quando já não tinha respostas do namorado, a jovem terá ainda enviado outra mensagem à irmã de Roy questionando-a sobre o paradeiro de Conrad.

O Supremo Tribunal considerou existirem indícios que responsabilizam a adolescente. As provas mostram que ela planeou uma “campanha sistemática de coação” e que a mensagem onde dava instruções para o jovem não sair da carrinha (“volta lá para dentro”) esteve “diretamente ligada” à morte de Conrad Roy III.

O julgamento ainda decorre, mas a defesa acredita na absolvição da adolescente por não se conseguir provar a relação entre as mensagens e o suicídio do jovem.