O sargento do exército dos Estados Unidos Bowe Bergdahl, que desapareceu de uma base militar no Afeganistão em 2009 e que depois regressou aos Estados Unidos numa operação de troca de prisioneiros, vai ser acusado de deserção. 

O sargento Bergdahl desapareceu em junho de 2009 da base militar americana na província afegã de Paktika. 

Depois de ter desaparecido, o soldado acabou por ser capturado por elementos Talibã, um movimento fundamentalista islâmico.

Acontece que os especialistas têm sugerido que o soldado desertou depois de se ter sentido desiludido com a atuação do exército norte-americano e consideram que a decisão do militar colocou em risco a vida dos colegas que o foram procurar.

Cinco anos depois de ter estado em cativeiro, Bargdahl foi solto em troca da libertação de cinco talibãs da prisão de Guantánamo.

A troca de prisioneiros, que aconteceu em Maio de 2014, enfureceu republicanos e alguns democratas, que acusaram Barack Obama de libertar um homem suspeito de graves atos terroristas e que poderia constituir uma ameaça para a vida dos americanos.

Alguns republicanos também alegaram que a troca de prisioneiros violou a lei dos Estados Unidos, por ser uma negociação com terroristas.

Depois da controvérsia, o exército americano investigou o desaparecimento do soldado e concluiu que o homem deixou a base militar de livre vontade.

Se for decidido que agiu contra as regras militares dos Estados Unidos, o sargento pode ser condenado a prisão perpétua e obrigado a devolver centenas de milhares de euros em salários acumulados durante o tempo em que esteve em cativeiro. Podem também ser retirados a Bergdahl todos os benefícios a que teria direito no futuro por ter prestado serviço militar.

Há quem já compare a história de Bowe Bergdahl à da série «Homeland», apelidando-o de Nicholas Brody da vida real. Se nunca viu a série, convém explicar que Brody também era sargento e foi capturado por terroristas da Al-Qaeda, tendo estado em cativeiro durante oito anos. Quando regressou aos Estados Unidos foi considerado um herói, mas, depois, perante a hipótese de ter sido convertido pelos terroristas tornou-se uma ameaça.