Bernie Sanders afirmou, esta sexta-feira, no programa “New Day” da CNN, que votará em Hillary Clinton, mas sublinhou que pode mudar de ideias até novembro. Depois de perder o apoio do partido democrata, o ainda candidato continua a angariar fundos nos 50 Estados.

“O meu dever, agora, como candidato, é batalhar para assegurar que o Partido Democrata não só terá a plataforma mais progressista da sua história, mas que essa plataforma seja implementada por quem for eleito”, afirmou Sanders à CNN.

 

O candidato presidencial discursou em Manhattan

O senador de Vermont recusou dar previsões do dia em que irá declarar o seu apoio formal a Hillary Clinton, sublinhando que aguarda respostas quanto às prioridades sociais por ela propostas. Quando questionado pelo jornalista acerca da transparência na eleição de Clinton como a candidata dos democratas, Sanders preferiu não comentar.

“Eu considero que o sistema tem muitas, muitas falhas, mas nós sabíamos onde nos estávamos a meter”, respondeu o candidato. “Não estou a dizer que eles mudaram as regras. Não, não mudaram.”

Donald Trump é, para Bernie Sanders, o grande adversário. Questionado sobre a possibilidade de votar no candidato republicano, Sanders exclui essa possibilidade, “Meu Deus, não.” Em entrevista a outra cadeia de televisão americana, o candidato de Vermont garantiu votar em Hillary Clinton para derrotar Donald Trump.

“Sim. Sim, Eu acho que a questão aqui é que farei de tudo para derrotar Donald Trump. Eu acho que Trump, se for eleito presidente, será um desastre para este país em muitas perspetivas”.

“Nós não precisamos de um presidente cuja pedra angular da sua campanha é a intolerância, que insulta os mexicanos e os latinos, bem como os muçulmanos e as mulheres, não demonstrando preocupações com as mudanças climáticas”, acrescenta.

Depois de ganhar as primárias da Nova Jérsia e da Califórnia e receber o apoio de um grande número de delegados, Clinton garantiu a sua nomeação como candidata do Partido Democrata, mas Sanders recusou-se a sair da corrida à Casa Branca, pelo menos até ao congresso do Partido, que se realizará a 25 de julho.   

Hillary Clinton será oficialmente anunciada como candidata democrata em julho

Nas últimas semanas, o candidato esteve reunido com vários nomes do seu partido, como Barack Obama e a própria Clinton, com vista à unificação do partido depois de umas primárias conturbadas.

“Eu não tenho os votos para me tornar o candidato democrata, você sabe, eu sei disso, somos bons em aritmética,” disse o candidato à CNN.

O candidato reafirmou o seu objetivo de trabalhar para implementar uma agenda mais liberal na Convenção Nacional Democrata de 25 de julho, onde Clinton se tornará a candidata oficial do Partido. Sanders deixou também claro, que não pretende criar um mau ambiente na Convenção, para que os democratas se reunifiquem.

Segundo a Reuters, mais de 3/4 dos democratas dizem que Sanders deveria ter um papel mais importante na criação das linhas centrais do partido para as eleições de novembro. Quase 2/3 também consideram positivo o apoio formal de Sanders a Clinton.