Bandeiras e emblemas do Estado Islâmico apareceram, na quarta-feira, hasteados em casas numa aldeia da Bósnia, mas foram retirados esta quinta-feira sob a ameaça de ação por parte da polícia. As autoridades alertam para os perigos que representam radicais islâmicos que regressaram da Síria e do Iraque, noticia a agência Reuters.

A aldeia de Gornja Maoca, no nordeste da Bósnia, é lar de seguidores do movimento sunita Wahhabi Islam e foi invadida pela polícia várias vezes ao longo da última década, devido a suspeitas de ligações com grupos radicais islâmicos.

A maioria dos muçulmanos na Bósnia é praticante de uma versão moderada do Islão, mas versões mais radicais têm encontrado um crescente número de seguidores entre as gerações mais jovens, especialmente nas áreas rurais. A polícia refere que até 180 bósnios, incluindo mulheres e crianças, deixaram a Bósnia e partiram para a Síria ao longo dos últimos três anos para se juntarem ao Estado islâmico.

Na quarta-feira, um fotógrafo da agência Reuters tirou fotografias de bandeiras do Estado Islâmico hasteadas em várias casas na aldeia de Gornja Maoca e os símbolos pintados numa cancela de madeira.

Esta quinta-feira, o Ministério Público da Bósnia ordenou às forças de segurança para fazerem buscas na aldeia, mas os agentes saíram de lá de mãos vazias.

«Durante as buscas que foram realizadas, as bandeiras do ISIS não foram encontradas», referiu em comunicado a Agência de Investigação e de Defesa do Estado (SIPA), sem dar mais detalhes.


Em declarações à rádio estatal bósnia, moradores em Gornja Maoca afirmaram que as bandeiras foram hasteados por vizinhos que entretanto abandonaram a comunidade.

«Não percebo o porquê de tanto alarido nas últimas 24 horas por causa de um simples pedaço de pano», disse à Reuters um homem, que disse chamar-se Edis e que usava uma longa barba e calças curtas típicas dos seguidores do movimento Wahhabi.


Mersed Cekic (E) e Edis falam aos jornalistas após as buscas em Gornja Maoca (Foto: Reuters)


A comunidade islâmica da Bósnia condena os que saem do país para lutar no Iraque e na Síria. Em abril de 2004, o Governo da Bósnia introduziu penas de prisão de até 10 anos para os bósnios que vão combater e para os que os recrutam.

Mas há uma crescente preocupação sobre a influência que a turbulência no Médio Oriente pode ter sobre os muçulmanos na Bósnia, em particular num contexto de desemprego generalizado, de pobreza e de corrupção no país balcânico, duas décadas depois do fim da guerra de 1992-95.

Em janeiro, as orações de sexta-feira numa mesquita em Sarajevo foram interrompidas quando um homem que usava uma camisa repleta de símbolos do Estado islâmico ameaçou um imã e acabou expulso da mesquita pelos fiéis.